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Direitos Humanos

Em SP, Jean Wyllys e Laerte se unem em ato anti-Feliciano

por Marcelo Pellegrini — publicado 25/04/2013 12h00, última modificação 25/04/2013 13h07
O cartunista e o deputado lideram ato público para discutir temas engavetados pelo pastor na comissão "oficial" da Câmara
CDHM Extraordinária

Cartaz de divulgação da Comissão

Liderados pelo cartunista Laerte Coutinho e pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), manifestantes contrários à atuação do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara realizam nesta quinta-feira 19, em São Paulo, a primeira sessão da comissão extraordinária em defesa das minorias, espécie de contraponto ao colegiado "oficial". O grupo paralelo foi criada para discutir publicamente alguns dos temas engavetados por Feliciano na Casa.

Organizada por um conjunto de entidades civis e coletivos, o ato irá funcionar como um "espelho avesso da CDHM". Discutirá abertamente temas como união civil homoafetiva, regulação das profissionais do sexo e aborto. "Nós queremos propor uma agenda positiva que trabalhe o verdadeiro conceito de Direitos Humanos, sem distorcê-lo com os embates entre religiosos e laicos", afirma Bruno Torturra, um dos organizadores do movimento Existe Amor em SP.

"A importância do ato é tentar ampliar a mobilização, demonstrando que o ataque aos direitos de uma parte da população, chamadas de 'minorias', significa um ataque à sociedade inteira", afirmou Laerte, que estará presente no ato. "Não existem minorias, do ponto de vista de direitos civis. Trata-se sempre de todos".

O local escolhido para abrigar a primeira sessão é a Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. A escolha não foi aleatória. Enquanto a CDHM, por ordem de Feliciano, realiza sessões fechadas aos cidadãos, a de São Paulo vai no sentido oposto, convocando todos os interessados a participarem do debate.

Guinada. De acordo com o deputado Jean Wyllys, o debate em torno dos Direitos Humanos é o grande evento político brasileiro do século XXI. “Existe uma crescente participação e politização da sociedade em torno do tema”, afirma.

Para ele, a situação crítica pela qual se encontra a CDHM "oficial" colaborou para colocar lado a lado movimentos que nem sempre foram colaborativos entre si, como o movimento negro e das mulheres, por exemplo. “Graças ao deputado Marco Feliciano veio à tona um discurso antirrepublicano e fundamentalista que corria no subterrâneo”, argumenta Wyllys. “Agora, podemos unir os diversos movimentos sociais e combatê-lo publicamente”.

Espera-se que da discussão em praça pública seja elaborado um documento a ser encaminhado para a Câmara dos Deputados. O documento será entregue ao presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), e poderá ser levado adiante pela Frente Parlamentar de Direitos Humanos e Minorias, criada há pouco mais de um mês. O grupo conta com a participação de 178 deputados, entre eles Jean Wyllys.

A Sessão da Comissão Extraordinária é organizada por um coletivo de indivíduos em torno do movimento Existe Amor em SP, com a participação dos grupos Pedra no Sapato e Conectas – organização internacional de direitos humanos fundada em São Paulo, com status consultivo no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

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