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Egard Catoira

Domingo em Copacabana

por Edgard Catoira — publicado 09/11/2011 19h24, última modificação 09/11/2011 19h29
No Desfile de Bandeiras, finalizando o encontro Rio Harley Days, vassouras varreram a corrupção, ativistas mostraram-se solidários ao deputado Freixo e vacas animaram o povo
harleiros

Final do encontro internacional Rio Harley Days

Uma caminhada pelo calçadão de Copacabana é sempre um programa perfeito. Nas manhãs de domingo, é imperdível: sol, brisa do mar, gente bonita transitando, correndo ou pedalando, com o cenário da praia, do mar azul, barracas coloridas, tudo, representa um prazer fantástico de estar vivo.

Os mais curiosos têm ainda a oportunidade de perceber movimentos novos de ginastas, patins, skates e bicicletas diferentes, incrementados. E pode-se ainda sentir o que está no pensamento coletivo do carioca – aqui e ali aparecem grupos que protestam a favor ou contra alguma situação, marchas, caminhadas, passeatas. As dos gays continuam sendo as mais concorridas.

No domingo ensolarado de 6 de novembro, centenas de motos desfilaram com batedores à frente.

Era o Desfile de Bandeiras, finalizando o encontro internacional Rio Harley Days. Com buzinaço e muito barulho, as motos atravessaram a pista da Atlântica desde o Posto VI até saírem do bairro pela Avenida Princesa Isabel. Normalmente os motoqueiros desfilam pela orla no dia de N. Sra. Aparecida. De qualquer forma, deram mais vida à praia.

Milícia é Máfia: Mata!

Na mesma hora, em frente ao Copacabana Palace, um grupo começava a se formar. Tinha gente com as vassouras que simbolizam a faxina de corrupção que deve ser feita no País, bandeiras de partidos – sem falar em camisas dos times de futebol – e muitos cartazes no chão.

Com um microfone e um alto falante, um homem convocava os populares a se manifestar em solidariedade ao deputado Marcelo Freixo, que na semana passada deixou o Brasil com a família por estar sendo ameaçado pelas milícias a atuar na cidade.

Começou a juntar gente e logo surgiu um carro de som. Babá, um dos fundadores do PSOL, com seus cabelos compridos, convidava para um protesto. Explicava que Freixo tinha, sim, palestras a serem feitas no exterior, a convite da Anistia Internacional.

Babá voltou a lembrar à população o caso da juíza Patrícia Acioli que, como o deputado, trabalhava firme contra as milícias e acabou, depois de muitas ameaças, fuzilada por PMs milicianos na frente de sua casa. E aumentaram sensivelmente as ameaças ao deputado, que não tem paz desde 2008, quando presidiu uma CPI na Assembléia Legislativa e indiciou 225 milicianos – entre os quais policiais e políticos.

É útil lembrar que logo depois de a família Freixo viajar, o governo do Estado quebrou o silêncio. Para tirar o corpo fora, comentou que no ano passado Freixo elogiou a segurança oferecida. E, realmente, é para elogiar. Os PMs que fazem segurança especial a ameaçados são preparadíssimos. Elegantes e educados, passariam fácil como funcionários do Itamaraty. Mas, com as últimas juras de morte feitas pela máfia das milícias, eles não eram o suficiente para garantir a integridade física da família Freixo. Aliás, seguramente acabariam também vítimas dos assassinos. E a Segurança Pública do Rio também sabe disso.

Panfletos distribuídos pelos organizadores destacavam, em negrito, as palavras de Freixo: Milícia é Máfia. E não basta prender os milicianos. Tem que acabar com o seu poder territorial e econômico.

É pouco provável que o movimento provoque alguma atitude por parte do governo. Mas, assim mesmo, é válido porque vem conscientizando o povo de que nossa cidadania não é respeitada pelo Poder constituído do país.

 

Enquanto isso

Ainda bem que nem só de notícias desagradáveis vive o povo da orla carioca. Começaram a ser espalhadas pela cidade as vacas em esculturas diferentes, divertidas.

Desde a roqueira, até a de elite – que tem quepe e a marca da tropa de elite numa das patas. As máquinas fotográficas surgem imediatamente para fotografar os grupos que fazem pose ao lado das alegres vacas.

De resto, o de sempre: quiosques e botequins com muito choppe gelado e tira gosto bom para refrescar a cabeça do carioca.

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