Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Domingão, contusão e escoriação

Sociedade

Sociedade

Domingão, contusão e escoriação

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 14/05/2010 17h28, última modificação 20/09/2010 17h29
É difícil entender porque alguém ri quando o outro cai, dá uma topada, senta fora da cadeira e se estatela no chão. O momento de se levantar é o pior. Quem já se trumbicou, derrapando solenemente no meio do corredor, conhece a eternidade entre a queda e o soerguimento. E sabe como é difícil encarar os espectadores com suas expressões mal paradas entre a surpresa e o riso, prestes a virarem galhofas.

É difícil entender porque alguém ri quando o outro cai, dá uma topada, senta fora da cadeira e se estatela no chão. O momento de se levantar é o pior. Quem já se trumbicou, derrapando solenemente no meio do corredor, conhece a eternidade entre a queda e o soerguimento. E sabe como é difícil encarar os espectadores com suas expressões mal paradas entre a surpresa e o riso, prestes a virarem galhofas.

Tem sempre um que vai gozar da situação e não se sensibilizar com a dor (moral) e física de quem foi ao chão. Sem nenhuma culpa, gargalha-se da irremediável humilhação. Mas qualquer um de nós já desfez dessas pequenas desgraças alheias, que, claro, podem ser levadas na esportiva. Mas não seria a tal ‘esportiva’ uma forma de a vítima defender-se da situação?

É dispensável dizer que há algo de sádico no ser humano. Não vamos tentar discorrer por quê, nem auditar o assunto com especialistas na alma humana, nem falar da linha fina entre tristeza e alegria. Programas e sites que levam ao ar videocassetadas ou pegadinhas de mau gosto dão picos de audiência na TV, em todas as partes do mundo, e no espaço da Internet.

Esse sentimento de deboche sobre a falha alheia floresce há séculos e, hoje, mais ainda precisamentee numa indústria de ‘entretenimento’ que adula a maldade travestida de humor. Como o riso é contagiante, vai-se alimentando uma cultura de que achar graça do tombo dos outros é natural. Quem muda de canal, pode ser considerado um reacionário, um amargo.

A ideia contida nas chamadas videocassetadas e seus derivados é o bulling da queda física. Mas as claques e onomotopeias que sonorizam os pequenos acidentes contagiantes e faz a maioria se divertir com cenas dignas de serem estreladas por dublês. Algumas visivelmente não são amadoras. É fácil produzir domesticamente uma cena de comédia pastelão. Bobo é quem não ri.

O que acontece depois que o cara caiu, que o menino foi praticamente esmagado pela mãe obesa, que o cachorrinho se escafedeu no arbusto espinhento, que a bola esmagou los cullones do papai, que a noiva escorregou da escada, que o bêbado vomitar na cara do vizinho ou caiu num tanque de esterco?

Se esses programas tivessem graça, não teriam patrocínio de pomadas analgésicas e antinflamatórias para contusões e escoriações que tratam os acidentes em seus comerciais como se fossem vídeocassetadas.

Balançando a Roseira – Como em outras Copas, o pessoal da Livraria Folha Seca mandou confeccionar sob encomenda dos interessados um jogo limitado de camisas da seleção de tempos memoriais. Desta vez, foi a esquadra de 1962, o ano do bi no Chile.

Nem bem a notícia correu à boca pequena, a lista dos autoconvocados fechou. E como a qualidade das réplicas das camisas é uma preocupação da dupla Rodrigo Ferrari e Cassio Loredano, os técnicos desse time, não adianta chorar porque, como se dizia antigamente diante do gol consumado, a “nega tá lá dentro.” O seleto escrete da livraria da Rua do Ouvidor, que é point literário e musical dos mais finos da cidade, está assim escalado: Djalma Santos(2), Mauro(3), Zito(4), Zózimo(5), Nilton Santos(6), Garrincha(7), Didi(8), Pelé(10), Vavá(19), Amarildo(20), (21) Zagallo.

Por falar nisso... Da modelo e atriz Alexia Dechamps, no Facebook: - “É 1 Dunga para 190 milhões zangados.” A bela carioca está certa.