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Desocupação

Documentário mostra a comunidade do Pinheirinho um ano depois

por Redação — publicado 23/08/2013 17h37, última modificação 23/08/2013 17h38
Produção foca a realidade das famílias que foram desalojadas do terreno, em janeiro de 2012. Centenas de pessoas se instalaram em abrigos sem condições mínimas de higiene e conforto
Flickr / pco.fotografia

O documentário Pinheirinho um ano depois, mostra como estão vivendo as famílias que foram desalojadas da comunidade na reintegração de posse realizada em 22 de janeiro de 2012. Situada em São José dos Campos, a comunidade do Pinheirinho começou a se formar no início de 2004 em um terreno cuja posse legal (e questionada na Justiça) era de uma companhia do empresário Naji Nahas. Após o despejo, a prefeitura de São José dos Campos ofereceu abrigos para os desalojados, mas, como mostram os registros do documentário, possuem condições insalubres.

A ocupação no Pinheirinho foi realizada no final de 2003. Eram cerca de 10 famílias no local. O documentário traz o depoimento do Defensor Público de São José dos Campos Jairo Salvador, que define a situação do terreno como uma “propriedade totalmente abandonada”. “A legislação estabelece a presunção absoluta de abandono quando você deixa de pagar imposto”, afirma.

Também participam do documentário o Senador Eduardo Suplicy (PT-SP); a urbanista e relatora especial da ONU para moradia adequada Raquel Rolnik; o deputado estadual Carlos Giannazzi (PSOL); e o editor de mídia online de CartaCapital, Lino Bocchini.

Natália Keiko, que participou da produção do documentário, disse que o objetivo do filme era trazer à tona um lado pouco explorado pela cobertura da mídia da desocupação. “Muito se falou dos aspectos políticos, mas as famílias não foram ouvidas, não se soube como era a vida delas lá nem o que aconteceu depois”, explica. A intenção não é, portanto, estabelecer nenhum viés político para a questão, diz ela. A produtora afirma que o documentário não tem nenhum vínculo com partidos políticos. O objetivo, diz ela, é contribuir para que a sociedade tenha mais meios de conceber o que foi aquele 22 de janeiro.

Esse panorama está presente no documentário, que traz diversos relatos dos antigos moradores do Pinheirinho. Os moradores relembram o dia-a-dia na comunidade, dizem terem vivido um período de muita união, com as famílias que apresentavam maiores dificuldades financeiras sendo ajudadas por aquelas mais estabilizadas.

O filme traz ainda cenas dos alojamentos que mostram centenas de pessoas vivendo em um ginásio, que passava 24 horas por dia com a luz acessa e só continha um banheiro. Imagens mostram ainda famílias vivendo no banheiro do local, dada a superlotação das outras áreas. “Cada colchão aqui é uma casa”, diz uma moradora, enquanto registra as cenas.

Os diversos abrigos foram pouco a pouco se esvaziando, à medida que as famílias foram cadastradas pelo governo do estado de São Paulo em conjunto com a prefeitura de São José dos Campos (SP) para receber uma bolsa aluguel de 500 reais por mês. O valor, dizem as famílias, é insuficiente e as levou ainda mais para longe dos centros.

As cenas da desocupação são fortes. Registros do momento exato do conflito entre tropa de choque e moradores mostram bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta e confrontos físicos. Os entrevistados abordam a truculência da Polícia Militar durante a desocupação. Atualmente, o terreno segue sem ser utilizado, a mata alta já cobre os locais onde antes estavam as casas das famílias.

O filme foi dirigido por Lucas Lespier e a captação de recursos foi feita por meio do site Catarse!, plataforma de angariação coletiva de fundos. O documentário está disponível na íntegra no youtube e pode ser conferido neste link na tvCarta.

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