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Derrotado pela balança

por Bruno Huberman e Rodrigo Martins — publicado 15/02/2011 16h10, última modificação 18/02/2011 14h36
Ronaldo, gênio da bola e do marketing, despede-se dos gramados

Ronaldo, gênio da bola e do marketing, despede-se dos gramados

O homem cabisbaixo que entrou no Centro de Treinamento do Corinthians, na segunda-feira 14, pouco lembrava o atleta animado que por mais de uma década encantou os torcedores. Ao lado dos dois filhos, Ronaldo Nazário de Lima, o Fenômeno, cumprimentou os colegas do clube e caminhou lentamente ao encontro dos jornalistas. Diante de mais de 200 repórteres de todo o mundo, anunciaria, aos 34 anos, a sua despedida dos campos. Lamentou não ter mais condições físicas para continuar e chorou ao pedir desculpas pelo “fracasso” do time na Taça Libertadores. “Fui vencido pelo meu corpo.”

Após a precoce eliminação na fase preliminar da competição, diante do desconhecido Tolima, do interior da Colômbia, o atacante foi um dos principais alvos da fúria da torcida corintiana. Os mais exaltados não perdoaram o descuido com a preparação física do atleta, visivelmente fora de peso e apático nas últimas partidas, e picharam insultos nos muros da sede do clube. Apesar da má fase e da pouco convincente explicação sobre seu excesso de peso (ele argumenta sofrer de hipotireoidismo, o que o levou a pesar em torno de 100 quilos, apesar de especialistas desmentirem a tese), a mídia esportiva mundial concentrou-se nas homenagens ao craque, que iniciou a carreira no São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e brilhou no futebol europeu. Para o diário
espanhol Marca, Ronaldo é “o maior atacante de todos os tempos”. Até mesmo os argentinos do Olé, geralmente debochados em relação ao futebol brasileiro, lamentaram a “despedida de um grande”.

Os adjetivos são justos. Três vezes eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa, Ronaldo venceu duas Copas do Mundo (1994 dólares com a transferência do jogador para o time holandês. Dali por diante, qualquer negociação envolvendo Ronaldo estaria na casa das dezenas de milhões de dólares. Muito para o garoto de Bento Ribeiro que mal tinha dinheiro para pegar condução até a Gávea e treinar no Flamengo. Ainda mais se comparar os valores das primeiras negociações do atleta: aos 14 anos foi vendido pelo São Cristóvão aos empresários Reinaldo Pitta e Alexandre Martins por míseros 7,5 mil dólares e, depois, revendido ao clube mineiro por 50 mil.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 634, já nas bancas

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