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Sociedade

Entrevista - Marco Aurélio Nogueira

Depois de junho, a polícia ficou na berlinda

por Matheus Pichonelli publicado 24/10/2013 04h53
Para professor de Teoria Política da Unesp, as ruas deixaram um recado para que seja revista a ação militar
Fernando Frazão/Agência Brasil
PM

Manifestantes, em protesto contra o governador Sérgio Cabral, entram em conflito com policiais militares em Laranjeiras, próximo ao Palácio Guanabara, sede do governo, em agosto

A atuação da Polícia Militar diante das manifestações, sobretudo em São Paulo e no Rio, onde junho ainda não terminou, foi “lamentável” e deixou a corporação na berlinda. A avaliação é de Marco Aurélio Nogueira, professor de Teoria Política da Unesp, e autor do livro recém-publicado “As Ruas e A Democracia” (Editora Contraponto), conjunto de ensaios sobre as as origens e os rescaldos das manifestações. “As ruas deixaram um recado, um pedido, uma sugestão para que seja revista a ação policial. A hipótese que se tem é que o desaparecimento de uma polícia civil de melhor qualidade despreparou a polícia para conviver com as ruas líquidas. A polícia, pelo caráter militar dela, foi feita para a guerra e não sabe lidar com manifestações de rua, que são políticas, e não militares. Elas vão como se fossem para a guerra.”

Para o professor, os protestos deixaram claro que a polícia precisa ser treinada de outra maneira. “O desempenho dela em junho, em São Paulo e no Rio, principalmente, foi lamentável. Ela foi, evidentemente, para a berlinda.”

O despreparo da polícia, segundo ele, ficou claro na recente série de reportagens do jornal O Estado de S.Paulo sobre o envolvimento de policiais com o Primeiro Comando da Capital. “O que se vê ali é que o PCC não é um grupinho de ladrõezinhos. É uma organização com tentáculos dentro do Estado, na polícia, no sistema judicial, sintonia de gravatas, um banco de advogados. Um tenente chegou a ser preso por envolvido com o PCC. Tudo isso expressa o despreparo da polícia.”