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Demorou a chegar lá

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 12/06/2009 15h43, última modificação 21/09/2010 15h45
Cariocas Quase Sempre acompanhou de perto o início da carreira do piloto Jenson Button, que há 9 anos estava devendo uma performance como a que realiza no campeonato de F1 de 2009.

Cariocas Quase Sempre acompanhou de perto o início da carreira do piloto Jenson Button, que há 9 anos estava devendo uma performance como a que realiza no campeonato de F1 de 2009.

Button chegou à Williams F1, em 2000, ao mesmo tempo em que a Petrobras consolidava sua posição como fornecedora da gasolina brasileira da equipe e a BMW retornava às pistas disposta a competir com a sua grande rival, a Mercedes-Benz.

Foi no Autódromo da Catalunya, em Barcelona, que Button ganhou seu lugar na Williams, ao vencer a disputa pelo posto com o brasileiro Bruno Junqueira, até então piloto de provas da equipe e o preferido da Petrobras, por motivos óbvios.

Era o lançamento do novo carro da escuderia, apresentado à imprensa especializada européia. Frank Williams optou por Button, anunciando sua escolha em Montemeló, embora os engenheiros da equipe também preferissem Junqueira, familiarizado com o carro, que já testara.

O velho Frank justificou a preferência por Button, então com 20 anos, por ser ele inglês, a equipe inglesa (até então com dois europeus, Ralf Schumacher, alemão, e Alessandro Zanardi, italiano, que deixava a escuderia) e a necessidade de a Inglaterra voltar a ter um piloto de ponta.

Button era a grande esperança inglesa até a chegada de Lewis Hamilton. Seus nove anos, desde a WilliamsF1 até a Honda encerrar sua participação em 2008, foram medíocres (apenas uma vitória, na Hungria, em 2006). Com a chegada de Ross Brawn, que comprou a Honda, Button é hoje “o Inglês” da F1. Bruno Junqueira acabou indo correr nos Estados Unidos, pela Fórmula Mundial.

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Banheiríssimos
Banheiros, particulares e públicos, dizem muito a quem pertencem, se sujos, se limpos, se providos de acessórios que dão segurança e conforto aos clientes. A lista vai desde o óbvio e básicão papel higiênico que, roga-se nunca falte, e, se não for pedir muito, que seja de boa qualidade, nem tão lixa nem tão macio, daqueles que se desmelinguem por onde passa. Segue o rol: fio dental, assentos higiênicos descartáveis, giratórios (se não for pedir muito) e saquinhos para absorventes. Parece de bom tamanho. Mas por que não temos banheiros temáticos no Rio, além dos que mostram mera decoração original, inesperados, menos caretas, que fizessem o visitante viver, além da sensação de higiene e conforto, uma verdadeira experiência?

Nova York é um celeiro de banheiros singulares e clássicos, como alguns das velhas lojas de departamentos, que convidam até a uma boa soneca. Os W. C. diferentes são os chamados extreme bathrooms, algo como supremo, o fino do fino. Já falamos aqui do Peep, na Prince Street, no Soho, que, usando espelhos de duas faces, faz quem está dentro ter a impressão de que é visto por quem está fora, ou seja, por quase todo o restaurante.

Na realidade, quem está do lado de fora está diante apenas da própria imagem numa parede espelhada. Se nenhum das partes sabe como tudo funciona ir ao toalete fica mais divertido ainda. Por causa disso, a média de permanência nos banheiros do Peep, bons preços e leiaute clean, é de até meia hora, diz uma pesquisa da casa. Em banheiros ‘comuns’ esse tempo é de dois a três minutos.

Outro exemplo de playground voyeuristico é o NY Glass Lounge, um bar na Décima Avenida. Mas lá o jogo de espelhos só vale para quem está do lado de fora. Pedestres vêem através de um vidro o usuário lavando as mãos e fazendo caras e bocas ante a própria imagem diante de espelhos internamente tradicionais. Claro, que os passantes só vêem a área, digamos, social. A privada continua privada. Depois de dois drinques, ninguém lembra mais que possa ser visto por alguém de passagem na rua.

No Ninja NY, restaurante temático que leva o cliente ao Japão do século XV, com garçons vestidos de ninjas, há um sistema de controle que opera assentos aquecidos, sprays de água, que oscila ou pulsa (ui) e um jato secador para as partes íntimas. Coisa comum, hoje, na terra do Sol Nascente.

E no restaurante J.C Decaux, em San Francisco, Califórnia, não é preciso tocar em nada do mobiliário banherístico. É o touch free. Lá, um sensor ótico providencia água, sabão e liga a secadora de mãos. O banheiro é auto-limpante mesmo, porque quando a pessoa sai chão e vaso são limpos, desinfetados e secos. Mas não se pode marcar touca, porque depois de 20 minutos de permanência uma voz gravada avisa que a porta se abrirá dali a pouco, independente do tempo que usuário ainda precisa para fazer o que foi fazer.
Todas essas diferenças, e de muitas outras, em toaletes espalhadas pelos Estados Unidos e Europa, fazem alguns desses banheiros figurarem no site Travellchannel.com, na aba, pasme, ‘cultura e museus’. Os banheiros extremos recebem turistas em busca, se possível, de emoções diferentes.

O Rio de Janeiro, tão carente de banheiros públicos – quer dizer, sem banheiros públicos decentes – está a espera deles e de um empreendedor inteligente.

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