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Da direita à esquerda: fogo das ruas sacode a política institucional

por Simara Pereira e Victor Khaled — publicado 19/07/2013 09h50, última modificação 20/07/2013 09h48
A disputa continua: de onde vai sair a grana para a Tarifa Zero nos governos da direita? E os governos do PT e base aliada? Vão se mexer e promover logo a Tarifa Zero com ônus para os ricos?
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Protesto pela tarifa zero em Brasília, uma das manifestações de junho

Em 17 de julho, Edson Moura Junior (PMDB) anunciou a implementação da Tarifa Zero no sistema de transporte coletivo de Paulínia, a partir de 1º de outubro, sendo a primeira cidade da Região Metropolitana de Campinas a adotar a medida.  A Prefeitura abolirá a tarifa, que custa um real, subsidiando integralmente o custo do sistema. É isso: Tarifa Zero, simples assim. Que venham vários a reboque.

A disputa continua: de onde vai sair a grana para a Tarifa Zero nos governos da direita? E os governos do PT e base aliada? Vão se mexer e promover logo a Tarifa Zero com ônus para os ricos? Seria a chance de mostrar que ainda têm elementos classistas? Será que nas cinzas da proposta de distribuição da renda urbana, defendida lá em 90, pelos idealizadores do projeto Tarifa Zero, restaram brasas, que, como diria Adoniran Barbosa, podem se “acender de novo”? Os críticos, minoritários no governo, com a comprovação de suas teses de décadas atrás, têm peso para superar a linha política da cúpula petista (que tantas vezes se mostrou mais reacionária que a própria direita)? Será que finalmente haverá respostas aos clamores de Maricato, Rolnik, Paul Singer, Chauí, entre outros intelectuais, que insistiram na reforma urbana e foram atropelados pela corrente majoritária? Todo mundo está "esperando", mas não parado!  Aliás, se o governo estava esperando um sopro, veio um furacão logo, para não deixar dúvidas: a mobilidade está em crise, a Tarifa Zero é a solução e desejo popular, com ambição escancarada por uma vida sem catracas.

Continuamos nas ruas disputando cada centavo, para que o projeto Tarifa Zero não se transforme numa torrente de dinheiro público para os cofres de empresas de transporte privadas, sem qualquer fiscalização ou controle, como alguns pretendem. Como dissemos sempre, para abolir as catracas, o custo será dividido socialmente e cada um paga de acordo com suas possibilidades. Portanto, capitalistas que preparem os bolsos, pois precisam ter participação pesada nesse montante. Servirá para compensar, ao menos um pouco, o fato de terem expulsado da jornada de trabalho o tempo necessário ao deslocamento casa-trabalho, onerando o tempo livre do trabalhador com esse trajeto obrigatório à sua reprodução diária.

Nada de isenções! Nada de renúncia fiscal! Estado mínimo interessa aos liberais, que morreram todos, com suas defesas frágeis já superadas e enterradas, com aqueles gritos pavorosos de "Menos Impostos!" e "Menos Estado!". Se quem sustenta a arrecadação brasileira não são os grandes empresários, por que diabos acreditam ter direito a essas palavras de ordem? Essa é a hora em que o Estado capitalista tem que assumir sua responsabilidade. No dia em que não precisarmos mais de Estado, já teremos garantido a Tarifa Zero, expropriado a frota, terminais e os bens de produção privados, há muito tempo.

Quanto a Florianópolis, o poder público está atrasado. Os prefeitos Juniors, Brasil afora, já estão buscando soluções para viabilizar a Tarifa Zero, enquanto César ainda nem reduziu a tarifa.  Não se sabe o que o prefeito Junior daqui está esperando. Com que empresários falta conversar? É muito ruim Florianópolis ficar por último. O Prefeito tem comprado um desgaste político para uma prefeitura recém-eleita.

Simara Pereira, bancária, graduada no Curso de Ciências Econômicas da UFSC, militante do Movimento Passe Livre Florianópolis e da Frente de Luta pelo Transporte Público.

Victor Khaled, trabalhador do serviço público, graduando no Curso de Geografia da UFSC, militante do Movimento Passe Livre Florianópolis e da Frente de Luta pelo Transporte Público.