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Copacabana, de braços dados

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 26/03/2010 17h48, última modificação 20/09/2010 17h49
Se Copacabana é o bairro com mais idosos por metro quadrado no mundo, certamente é também o bairro que mais emprega, informalmente, acompanhantes no planeta.

Se Copacabana é o bairro com mais idosos por metro quadrado no mundo, certamente é também o bairro que mais emprega, informalmente, acompanhantes no planeta. Um passeio pelo calçadão, principais avenidas e ruas do bairro mostra que, para cada velhinho caminhante, ou claudicante, existe um profissional, formal ou informalmente empregado, a olhar pelos seus passos, de braços dados. O mesmo para os cadeirantes com seus empurradores oficiais.

Há, porém, os intrépidos da categoria “sem acompanhante” com seus scooters (carrinhos elétricos) abrindo caminho pelas calçadas cheias de gente, buracos e desníveis. Saiam da frente. Os velhinhos que carregam seus acompanhantes são os donos do dinheiro, os consumidores de um mercado pródigo, os agentes de uma economia movida a aposentadorias e pensões.

Eles passaram a vida ou boa parte de seus dias em Copa, de onde não sonham sair. São os saudosos da Colombo, dos cinemas Rian, Metro, Ritz, Art-Palácio, Caruso, e dos tempos em que o restaurante Cirandinha era o point e o Copacabana Palace não tinha, então, perdido em status para nenhum outro hotel moderninho.

Mesmo assim, pega mal falar mal de Copacabana com essa imensa turma de vovôs e vovós, em que as senhoras são maioria inconteste. Criticar o bairro com veemência é mania da geração de seus filhos e netos. Apesar de reconhecerem alguma decadência aqui e ali, onde se acha um lugar que “tem de tudo”, comércio e beleza natural? E o clima, apesar do calor de 45 graus que tem batido nos termômetros fincados ao longo da avenida Nossa Senhora?

Dá para entender essa fidelidade. No tempo em que morar em Copacabana era o que havia, os velhinhos não precisavam de acompanhante. Eram belos e jovens e Ipanema não passava de um lugar pacato, enquanto o Leblon era um quase e longínquo areal de ruas assombradas e casas que não causavam nenhum espanto por apenas existirem. Hoje, as residências remanescentes no bairro mais caro do Rio arrancam ahs e ohs de olhos observadores.

Os velhinhos de Copacabana e seus acompanhantes estão pelas ruas, no calçadão, nos restaurantes a quilo (que ninguém é de ferro para continuar no vucovuco do fogão em casa) e nas matinês do que sobrou do ex-suntuoso Roxy, hoje dividido em três salas de cinema.

Sinal da vida moderna. Pode soar leviano, mas parece que, para alguns dos velhinhos, ser acompanhado dá-lhes um certo status. Ou seria mais segurança? As acompanhantes são, na realidade, a versão moderna das antigas damas de companhia, sem avental e frufrus.

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Pinga ni mim

No Aeroporto do Galeão, atrasos e goteiras

Cada embarque no Aeroporto do Galeão (decidimos só voltar a chamá-lo de Tom Jobim quando merecesse) é um espanto.

Na quarta-feira (17), pousos e decolagens foram suspensos por cerca de duas horas, porque o “radar quebrou”. Foi com essa simplicidade que a notícia foi dada pelo funcionário de uma empresa nacional ao grupo
de pessoas de procedências diferentes. Parece impossível, mas em Inglês o comunicado foi mais simplificado ainda.

Viajantes experientes em Galeão são uns conformados.

O que não se esperava era o adendo de uma boa goteira aparada por um reles balde.

O pinga-pinga resultante da chuva que caía na cidade reduzia a área destinada aos passageiros daquele voo, que se espremiam nos bancos secos restantes. A goteira era na área de embarque internacional.

E vamos à Copa in Rio?