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Chile se mobiliza contra sistema educacional de Pinochet

por Lucas Conejero — publicado 17/08/2011 19h00, última modificação 30/10/2011 22h50
Segundo pesquisa, 76% dos chilenos aprovam os protestos em favor da educação pública e da proibição do lucro por instituições de ensino

Nos últimos três meses, a FECH (Federação de Estudantes do Chile) mostrou sua força e impressionou o mundo pela capacidade de mobilização. Liderados por uma jovem comunista, os estudantes tomaram as ruas das principais cidades do país em marchas que reuniram centenas de milhares de pessoas. Norteado pela bandeira histórica da educação pública gratuita e da proibição do lucro para instituições de ensino, o movimento ganhou apoio de ampla maioria da população e emparedou o governo do conservador Sebastián Piñera.

Segundo pesquisa do Centro de Pesquisa La Tercera, divulgada no último sábado pelo jornal eletrônico chileno El Mostrador, mesmo após a postura radical de parcela dos quadros durante os atos, 76% dos cidadãos chilenos apóiam as manifestações estudantis e 65% estão insatisfeitos com a capacidade do governo em solucionar o conflito. Camila Vallejo, 23, militante do partido comunista e principal liderança dos protestos, alcançou a incrível marca de 68% de aprovação.

Diante os números e a grita da opinião pública, o palácio La Moneda não teve outra opção e foi obrigado a abrir um canal de negociação com os revoltosos. Para se ter uma ideia do tamanho do problema e da força do movimento, neste exato momento, mais de 300 escolas e universidades seguem ocupadas e completamente paralisadas. Ao mesmo tempo, setores da sociedade civil como o Colégio de Professores e os sindicatos de trabalhadores do cobre anunciam apoio aos estudantes.

No cerne da questão, encontra-se o modelo educacional herdado da ditadura de direita do general Augusto Pinochet. Contestado de cima a baixo pelos estudantes, o sistema é factualmente ruim e elitista. Segundo a agência de notícias Prensa Latina, estatísticas recentes apontam o Chile como um dos países mais desiguais do mundo quando o assunto é educação e indicam investimento estatal irrisório e incompatível ao Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Depois de uma reunião no último domingo, onde todas as entidades de base do movimento estudantil chileno estavam presentes, Camila Vallejo afirmou que a dinâmica das mobilizações, cada vez mais radicalizadas, vai depender da posição do governo Piñera e comunicou à imprensa a data da próxima marcha, nesta quinta-feira. Quando uma causa nobre e justa encontra um povo bem educado e politizado, não há tropa de choque, nem governo de direita que segure.

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