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África do Sul

Chefe da investigação do caso Pistorius é afastado

por Redação Carta Capital — publicado 21/02/2013 15h30, última modificação 21/02/2013 15h30
Detetive que apura se o atleta sul-africano matou a namorada é acusado de sete tentativas de assassinato

A Justiça da África do Sul afastou nesta quinta-feira 21 o chefe dos investigadores de polícia responsável pelo caso do atleta paraolímpico Oscar Pistorius. O detetive Hilton Botha, que testemunhou contra o corredor sul-africano suspeito de matar a namorada, é acusado de sete tentativas de assassinato.

Um novo chefe de investigação foi nomeado, anunciou a diretora da Polícia Nacional Sul-Africana, Riah Phiyega. "Reconhecemos a importância e gravidade do caso."

Botha é acusado de tentativa de homicídio por ter atirado, em estado de embriaguez, contra um táxi para obrigá-lo a parar em 2009.

O processo contra ele havia sido temporariamente suspenso, mas "após a conclusão do inquérito, voltou à Procuradoria" e "recebemos na quarta-feira 20 a decisão. Com base nisso, consideramos necessário transferir a investigação sob a direção do tenente-general Moonoo", indicou Phiyega.

Em meio a mais uma polêmica, o juiz deve decidir apenas nesta sexta-feira 22 se concederá liberdade sob fiança a Pistorius, acusado de ter atirado quatro vezes na modelo Reeva Steenkamp, em 14 de fevereiro. Ele afirma ter confundido a mulher com invasor escondido no banheiro de sua casa. a investigação policial parece cada vez mais questionada.

              

Críticas à investigação

Já desestabilizado pela defesa de Pistorius, Botha demorou a comparecer à audiência na manhã desta quinta-feira 20, o que provocou uma longa suspensão da sessão. O advogado do atleta, Barry Roux, apontou na audiência da véspera, um por um, todos os erros da investigação.

Roux criticou os investigadores por não protegerem os pés para caminhar na cena do crime, além de não terem verificado as ligações telefônicas do acusado e não terem visto uma cápsula que caiu no vaso sanitário.

A defesa negou a tese de uma briga entre o casal, criticando as incoerências de horários nos testemunhos de vizinhos. Segundo Roux, se Pistorius tivesse a intenção de matar Reeva, "poderia ter feito não importa onde". "Não há provas de que ele sabia que Reeva estava no banheiro."

O atleta afirma que sua namorada se levantou no momento quando ele saiu para pegar um ventilador na varanda. Ao retornar, ele teria ouvido um barulho no banheiro e acreditado que havia um invasor na casa. Ele assegura que se deu conta de que a modelo estava no banheiro apenas depois de atirar contra a porta do local.

A necrópsia mostrou que não havia traços de urina na calcinha da jovem, um detalhe que corrobora a versão do atleta, segundo o seu advogado.

Interrogatório

Mesmo com o anúncio da mudança no comando das investigações, o juiz Desmond Nair manteve o interrogatório ao acusado. O magistrado questionou o atleta por que ele não havia se incomodado com o silêncio de Reeva quando lhe pediu para chamar a polícia.

Nair também mencionou um incidente recente em um restaurante de Johnnesburgo, quando Pistorius disparou um tiro em público. "Há indícios de que o acusado estava preocupado após o tiro e que teria pedido a alguém para assumir a culpa em seu lugar", disse.

A Promotoria, que segundo a lei sul-africana também representa a parte civil, retomou a sua instrução ressaltando que o acusado estava "pronto para atirar e que queria matar".

A acusação destaca a propensão do atleta, descrito como ansioso, agressivo e um amante das armas, para a violência. Também considera suspeito que Pistorius tenha sido capaz de correr para pegar sua arma debaixo da cama, passando duas vezes ao lado de onde a modelo dormia sem vê-la. "Você quis protegê-la, mas você nem olhou para ela?", ironizou.

O julgamento está previsto para os próximos meses, mas a defesa já se prepara. Por enquanto, apenas a decisão de libertação sob fiança está sendo analisada. O juiz deve pesar os riscos de distúrbios à ordem pública, mas também a possibilidade de fuga.

A acusação insistiu que Pistorius tem uma "casa" em Gênova, na Itália. Mas o seu treinador Ampie Louw disse que esta propriedade era uma pista de corrida com um ginásio disponível para esta cidade italiana, com um hotel anexo.

Diversos patrocinadores deixaram o atleta, incluindo a Nike. Ainda assim, a agência de relações públicas que trabalha para Pistorius reorganizou o site do atleta.

Com informações AFP.

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