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Caos nos aeroportos, longe do fim

por Redação Carta Capital — publicado 03/08/2010 19h10, última modificação 03/08/2010 22h06
Gol alega que software que escala horário de trabalho de tripulantes é causa dos atrasos dos voos. Funcionários da empresa prometem greve dia 13

Gol alega que software que escala horário de trabalho de tripulantes é causa dos atrasos dos voos. Funcionários da empresa prometem greve dia 13

O inchaço dos voos no final das férias era esperado e foi a justificativa imediata usada pela Gol para explicar o motivo dos atrasos em boa parte dos voos da companhia que começaram no último dia 30. Segundo a empresa, algumas tripulações atingiram o limite de horas trabalhadas previsto em contrato por conta do intenso tráfego aéreo naquele dia. Na segunda-feira 2, a Gol repassou à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) que houve atraso de 52,5% das 685 partidas programadas. Somente nesta terça-feira, os atrasos eram de 36,3% nos 490 voos programados. Na tarde de hoje, em reunião com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Gol afirmou que houve um erro na atualização do software que planeja escala da jornada de trabalho dos tripulantes e acabou divulgando dados incorretos da malha aérea.

No encontro, a Gol apresentou um plano de ação que vai atender os passageiros de voos cancelados ou com atraso que inclui mais cinco aeronaves com capacidade para 230 passageiros.

O caos aéreo que se instalou no País depois do choque do jato Legacy com o Boeing da Gol, em 2006, revelou, além das enorme filas, e atrasos recorrentes, a fragilidade do sistema aeroviário brasileiro, seja na segurança, ou falta dela, na precariedade das pistas, e no controle dos voos.

A crise aérea mostra novamente sua face com os atrasos da Gol que não atinge somente os passageiros, usuários dos serviços da companhia. Os funcionários estão organizando uma paralisação que deve ocorrer na sexta-feira 13. As reivindicações: melhores salários, plano de saúde, fim do excesso de jornada e assédio moral. O Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) tenta contato com o setor de recursos humanos da companhia aérea há dois meses, sem sucesso, para discutir essas reivindicações da categoria.

Em nota oficial à imprensa Selma Balbino, presidente do Sindicato, declara que a iniciativa dos funcionários além de ser resultado dos problemas internos da Gol, também está relacionada à lenta fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Agência Nacional em Aviação Civil (ANAC). “Não podemos esquecer que as multas aplicadas pelo MTE e ANAC são tão baixas, que acabam se tornando um incentivo ao desrespeito à legislação trabalhista e à regulamentação profissional”, diz.

Ela pede aos aeroviários e aeronautas que levem a discussão às suas entidades de classe, para se resguardarem de qualquer tipo de retaliação da Gol. “Já que a empresa não esteve aberta às nossas tentativas de negociação, não nos resta outra saída além de apoiar esse movimento”. Selma lembra que apesar de a Gol e sua concorrente terem somado um lucro de 1 milhão de reais no último ano, as condições de trabalho continuam ruins.

Extrapolando os limites seja no número de voos ou em número de funcionários, os atrasos da Gol se refletem nos aeroportos de todo o Brasil e mostra que o caos aéreo é um problema longe de ser resolvido.

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