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Sociedade

Plínio Arruda Sampaio

Violência no Rio

26.11.2010 10:04

Caçada na favela da Vila Cruzeiro

Plínio de Arruda Sampaio contesta a ação policial no Rio: é a “criminalização da pobreza”. E propõe alternativas.

O melhor jeito de não terminar com a criminalidade nos morros do Rio de Janeiro é realizar uma operação militar com mais de mil policiais para prender e matar traficantes numa favela.

Será possível que as autoridades ainda não tenham entendido que a invasão das favelas só cria mais ódio e só serve para matar inocentes? Claro que entendem muito bem. Nós é que não entendemos a real intenção delas, pois, na verdade, o objetivo dessas incursões militares não é prender traficantes, mas amedrontar as populações pobres que aí vivem.

Trata-se da criminalização da pobreza. É preciso aterrorizar os pobres para que não tenham a menor veleidade de reclamar contra seu lastimável estado.

Agora a violência ficou ainda pior: a Polícia criou uma tropa de ocupação – as UPPs.

Quem assistiu ao filme “Tropa de Elite 2” não tem a menor dúvida de que a maior causa da violência urbana é, na verdade, a corrupção policial. Parece incrível que, após a denúncia do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o governo tenha coragem de montar uma operação bélica que, segundo os dados fornecidos pelas próprias autoridades, já matou 32 pessoas. Bandidos? Qui lo sa? Se forem bandidos, pode?

Na campanha eleitoral, propus uma forma razoável. Primeira medida, realizar uma reforma agrária, a fim de despressurizar o ambiente. Simultaneamente, legalizar o uso da maconha (não se trata de liberação geral, mas de controle da atividade pela Justiça, pelo Estado e não pelo tráfico); educar os policiais (corrompidos pela ditadura militar); e estabelecer conselhos de segurança dos bairros, colocando-os como supervisores de policiamento civilizado. Em vez de camburões e tanques da Marinha, policiais a pé, percorrendo os morros permanentemente, e dotar os conselhos de atribuições que incluam a avaliação dos policiais para efeito de promoção.

Uma vez estabelecido esse sistema, colocar a Polícia com todo rigor em cima dos traficantes de drogas químicas, que causam dependência e são produzidas por altos capitalistas, pois a atividade serve para lavar dinheiros escusos.

Fora daí estamos girando em falso. A violência apenas chama violência dobrada. Nessa espiral, os que sofrem são os trabalhadores, transformados em alvos das balas perdidas.

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Sua opinião

  1. roberto fonseca disse:
    Consideramdo-se que a criminalização dos sem-rumo no Brasil começou-se desde os tempos imperiais, os nosso atuais "benfeitores" politicos não poderiam fazer o melhor, pois, pertencem às Capitanias Hereditárias" que continuam a solapar as bases do nosso (?) pais, há mais de 500 anos. Esses Capitães do Mato jamais nos deixarão em paz, pois estão incrustados em todo território nacional, não em forma de minério, mas, em forma de ervas - daninhas. RF
  2. jack disse:
    Hoje, abril de 2011 o Rio continua nas mãos dos traficantes. Ou alguém ainda duvida que o objetivo do governo carioca seja limpar o quintal para a copa e as olimpíadas? Tirando a legalização da maconha, o plano do Plínio é o que existe de mais agressivo e ousado no combate ao crime organizado nas favelas.
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