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Censo 2010

Brasil quer realizar o censo “mais perfeito” do mundo, segundo presidente do IBGE

por Envolverde — publicado 25/08/2010 11h37, última modificação 25/08/2010 11h37
O Brasil, quinta nação mais populosa do planeta e a maior da América do Sul, saiu na frente dos demais realizando seu primeiro censo digital e computadorizado em nível nacional

Por Thalif Deen*

Até 31 de dezembro, espera-se que 68 países completem a árdua tarefa de realizar uma precisa contagem do número de pessoas que vivem dentro de suas respectivas fronteiras geográficas. O censo demográfico internacional, que tradicionalmente acontece a cada dez anos em diversos países e em diferentes períodos de tempo, este ano inclui quase a metade da população mundial, de 6,7 bilhões de pessoas. Entre os países que realizarão o censo estão Argentina, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, China, Estados Unidos, Finlândia, Indonésia, Japão, México, Paquistão, Rússia e Zâmbia.

O Brasil, quinta nação mais populosa do planeta e a maior da América do Sul, saiu na frente dos demais realizando seu primeiro censo digital e computadorizado em nível nacional. Os brasileiros garantem que o censo, iniciado no dia 1º deste mês, é o “mais preciso, completo e tecnologicamente sofisticado” que o país realiza “desde 1872, e talvez em toda a história mundial”. Pelo menos quatro países – Cabo Verde, Colômbia, Omã e Uruguai – já adotaram sistemas completamente digitais, segundo o fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Em magnitude e alcance geográfico, espera-se que o censo brasileiro seja demograficamente formidável, considerando que a população deste país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados chega a 194,3 milhões de habitantes. Os números são assombrosos: 240 mil recenseadores visitarão 58 milhões de lares em 5.565 municípios, utilizando 225 mil computadores de mão (PDA) e notebooks com Sistema de Posicionamento Global (GPS), além de 8.400 computadores pessoais.

Os recenseadores transmitirão a informação através dos PDA para mais de sete mil bases de dados regionais distribuídas em todo o país. Em sua paixão digital, o Brasil também inclui a possibilidade de os cidadãos responderem ao questionário do censo via Internet. Este mecanismo só é válido após uma visita do recenseador para entregar pessoalmente um envelope contendo um código que dá acesso ao questionário e a um site seguro.

O custo total do censo brasileiro, que será realizado durante quatro meses, está estimado em mais de US$ 900 milhões, e espera-se que os números preliminares sejam divulgados no dia 27 de novembro. Os preparativos iniciais começaram em 2007, com provas-piloto que se estenderam até 2009. Os resultados finais serão publicados em 2011. O primeiro censo do Brasil, em 1872, contou 10,1 milhões de habitantes, e o último, em 2000, registrou 169,8 milhões de habitantes.

O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Pereira Nunes, acredita que o próximo censo apresente uma imagem completa das características socioeconômicas da população. “O censo 2010 mostrará um país com uma taxa de escolaridade mais alta, maior inclusão digital e maior acesso a produtos de consumo, novas estruturas familiares, crescente presença de mulheres nos locais de trabalho e maior educação”, previu.

A diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid, criou a Iniciativa Especial sobre Censo, que ajuda países pobres a realizarem seus censos este ano. “Nenhum país deveria deixar de fazer um censo populacional e de moradia durante a rodada de 2010 por limitações financeiras ou falta de capacidade técnica”, afirmou. Essa agência da Organização das Nações Unidas apoia nações em desenvolvimento para que realizem censos, como Afeganistão, Camboja, Coréia do Norte, Iraque, Palestina, Somália, Sudão, Timor Leste e Vietnã.

Os brasileiros, que desenvolveram seus próprios programas informatizados, estão ajudando outros países, como Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Omar Gharzeddine, do UNFPA, disse à IPS que este tipo de consulta é essencial para que os governos tenham base para tomar decisões relativas aos desafios que seus habitantes enfrentam. “São a principal fonte de informação sobre o número, as características e necessidades de determinada população”, afirmou.

De acordo com as atuais tendências, o censo eletrônico brasileiro inclui perguntas como uso de contador de energia elétrica, telefone celular, acesso à Internet, migrações e relações estáveis com pessoas do mesmo sexo. O censo alcançará as partes mais remotas do Brasil, a maioria acessível apenas por ruas não pavimentadas, e comunidades que em sua maior parte abrigam grupos minoritários e povos indígenas.

Os recenseadores também visitarão penitenciárias, postos militares, asilos, orfanatos, conventos, hospitais, hotéis e acampamentos em selvas distantes. Será o décimo-segundo censo do Brasil, caracterizado por uma diversa mescla cultural e racial, e com uma população em sua maioria de ascendência portuguesa e africana. Consultado se o Brasil pretende realizar “o censo mais perfeito do mundo”, o coordenador dos trabalhos no Rio de Janeiro disse à IPS: “É isso que esperamos”.

*Matéria originalmente publicada na Envolverde

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