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Sociedade

Índice de Desenvolvimento Humano

Brasil é o 84º do ranking de IDH da ONU

por Rodrigo Martins publicado 02/11/2011 13h05, última modificação 02/11/2011 13h10
Brasil é bem avaliado pelo PNUD, mas, se o resultado englobasse também a desigualdade social, resultado brasileiro seria bem pior
IDH dos BRICS

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Apesar da 84ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2011, desempenho vexatório para um país com a sétima maior economia do mundo, o Brasil tem melhorado a sua performance nos últimos anos. Tanto que, ao divulgar o novo relatório, na manhã desta quarta-feira 2, o escritório brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), pontuou que, na evolução de posições do ranking de 2006 a 2011, “o Brasil está entre os 24 países com melhor desempenho, ou seja, aqueles que subiram três ou mais posições”. Nem por isso há tantos motivos para celebrar.

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De fato, na comparação com o ano anterior, o País avançou uma posição. Em 2010, o Brasil obteve a classificação 73 entre as 169 nações analisadas. Com a inclusão de 18 novos países e territórios reconhecidos pela ONU no cálculo, atingindo o número recorde de 187 estados avaliados, os pesquisadores do Pnud reclassificaram os desempenhos em anos anteriores. Daí a constatação de que o Brasil passou do 85º lugar para o 84º entre 2010 e 2011. O atual índice brasileiro (0,718) mantém o País no grupo de nações com desenvolvimento humano considerado elevado e está acima da média global (0,682). Comparado aos demais países dos Brics, só perde para a Rússia (0,755).

“A série histórica do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para o Brasil revela uma retrospectiva positiva também a médio e a longo prazos”, informou o Pnud no Brasil. “Entre 1980 e 2011, o valor do IDH subiu 31%, saltando de 0,549 para 0,718. Este desempenho foi puxado pelo aumento na expectativa de vida no país (11 anos), pela melhora na média de anos de escolaridade (4,6 anos a mais) e pelo crescimento também da renda nacional bruta (RNB) per capita (quase 40% entre 1980 e 2011)”. Clique aqui para ver a evolução e outros dados comparativos.

Há, contudo, um aspecto que costuma ser deixado em segundo plano nas avaliações sobre o IDH. Desde 2010, o Pnud divulga uma lista de países com o IDH ajustado à desigualdade (IDHAD). Neste ano, o índice brasileiro foi de 0,519, valor 27,7% inferior ao aferido pelo IDH tradicional. Isto ocorre em função das variáveis consideradas em um e outro indicador. O IDH convencional é uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. No quesito renda, por exemplo, é considerada a renda per capita, uma média que mascara os problemas decorrentes da desigualdade social.

Como o Brasil está entre 15 países com pior distribuição de renda do planeta, o nosso IDHAD apresenta um valor bem abaixo do IDH tradicional, em alguns casos até inferior ao de nações africanas como o Gabão. No ranking do IDH convencional, estamos 22 posições à frente dos gabonenses. Ao considerar as variáveis de desigualdade, o desempenho do Gabão (0,543) é superior ao nosso. “Nesta área, o Brasil se insere em um contexto semelhante ao da América Latina, onde a desigualdade – em especial de renda – faz parte de um passivo histórico que ainda representa um grande obstáculo para o desenvolvimento humano. Mas o relatório elogia os esforços e avanços da região na tentativa de reduzir estes números, e faz menção às conquistas de Argentina, Brasil, Honduras, México e Peru”, registra o Pnud.

Fato é que, no ranking dos 137 países que calculam o IDH ajustado à desigualdade, o Brasil cairia 13 posições, ficaria numa ainda mais vexatória 97ª posição. É evidente que o Brasil precisa melhorar seus índices educacionais para melhorar seu desenvolvimento humanos, como todos os analistas costumam destacar. Mas não deve deixar de lado seus esforços para combater a pobreza extrema e reduzir a desigualdade social.

Para ler a íntegra do relatório do Índide de Desenvolvimento Humano do Pnud, clique aqui.

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