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Brasil detém a hegemonia na Copa das Confederações

por Deutsche Welle publicado 13/06/2013 11h57, última modificação 25/06/2013 13h18
Das oito edições realizadas, seleção brasileira conquistou três e é a maior vencedora do torneio. Competição foi criada por rei saudita, teve até morte em campo e hoje serve como evento preparatório para a Copa do Mundo
Rafael Ribeiro/CBF
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Das oito edições realizadas, seleção brasileira conquistou três e é a maior vencedora do torneio

O Brasil recebe a partir do próximo sábado 15 a nona edição da Copa das Confederações com o desafio de ampliar sua hegemonia no torneio e de usá-lo para identificar contratempos e aperfeiçoar procedimentos nos estádios e na infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014.

A seleção brasileira tem três títulos e quatro finais disputadas nas oito edições do torneio – que não nasceu sob a chancela da Fifa, nem com o atual nome e muito menos com o propósito de evento-teste para a Copa.

A primeira edição foi disputada em 1992, na Arábia Saudita, e ostentava o nome do idealizador do torneio, o rei Fahd bin Abdul Aziz al-Saud, quinto monarca da dinastia Saud e grande incentivador do futebol em seu país. A intenção do rei Fahd era realizar uma competição entre seleções envolvendo os atuais campeões continentais, único elemento que permanece na fórmula atual da Copa das Confederações.

A Copa Rei Fahd, hoje Copa das Confederações, é a única competição, salvo a Copa do Mundo, que envolve mais de duas seleções nacionais de continentes diferentes. Fora torneios esporádicos entre os campeões europeus e sul-americanos, as seleções nacionais de cada continente só se encontravam nos Mundiais.

Apenas na terceira edição, em 1997, mas ainda na Arábia Saudita, a Fifa se rendeu à fórmula de sucesso e adotou a então Copa Rei Fahd, organizando e popularizando o torneio mundo afora. E, a partir de 2005, na Alemanha, a Copa das Confederações começou a ser disputada a cada quatro anos, sempre um ano antes e no país-sede da Copa do Mundo.

O que, porém, não mudou até hoje é o fato de o campeão da Copa das Confederações nunca ter conseguido levantar a taça da Copa do Mundo no ano seguinte.

1992

Sede: Arábia Saudita
Campeão: Argentina

A primeira edição da Copa Rei Fahd foi também a única sem uma fase de grupos. Apenas três equipes nacionais se dispuzeram a viajar até Riad, a capital saudita, e juntaram-se aos donos da casa. Todas as partidas foram disputadas no majestoso Estádio Internacional Rei Fahd, com capacidade para 75 mil espectadores. O torneio teve início logo nas semifinais e com duas vitórias – 4 a 0 na Costa do Marfim e 3 a 1 na final contra a Arábia Saudita – a Argentina sagrou-se campeã.

Participantes:
Arábia Saudita: Anfitriã e campeã da Copa da Ásia de 1988
Argentina: Campeã da Copa América de 1991
Costa do Marfim: Campeã da Copa das Nações Africanas de 1992
Estados Unidos: Campeão da Copa Ouro da Concacaf de 1991

Artilharia:
Bruce Murray (EUA) e Gabriel Batistuta (ARG) – 2 gols

1995

Sede: Arábia Saudita
Campeão: Dinamarca

A segunda e última Copa Rei Fahd, desta vez com seis participantes, teve a seguinte fórmula de disputa: dois grupos com três seleções, e a final disputada pelo vencedor de cada grupo. Novamente todas as partidas aconteceram no Estádio Internacional Rei Fahd.

A Dinamarca, que já havia conquistado a Eurocopa de 1992 de maneira surpreendente, venceu a Argentina na final por 2 a 0 e conquistaria assim a sua última taça internacional. Um fato curioso marcou essa edição do torneio. Ainda na fase de grupos, Dinamarca e México, após um empate por 1 a 1 e a igualdade nos critérios de desempate, precisaram determinar através de uma disputa por pênaltis qual equipe seria a primeira colocada. Os escandinavos levaram por 4 a 2.

Participantes:
Arábia Saudita: Anfitriã
México: Campeão da Copa Ouro da Concacaf de 1993
Dinamarca: Campeã da Eurocopa de 1992
Japão: Campeão da Copa da Ásia de 1992
Nigéria: Campeão da Copa das Nações Africanas de 1994
Argentina: Campeã da Copa América de 1993

Artilharia:
Luis García Postigo (MEX) - 3 gols

1997

Sede: Arábia Saudita
Campeão: Brasil

Agora sob a chancela da Fifa, passou a se chamar Copa das Confederações e elevou o número de participantes para oito seleções nacionais: os seis campeões continentais; o atual campeão da Copa do Mundo e o país anfitrião. A fórmula de disputa implementada nesta edição é mantida até hoje. Dois grupos com quatro equipes, quartas de final, semifinais, disputa pelo terceiro lugar e final.

O que não mudou foi que o país-sede foi a Arábia Saudita, e todas as partidas foram jogadas no Estádio Internacional Rei Fahd.

A jornada da seleção brasileira ficou marcada por um incidente na concentração. Alguns jogadores decidiram raspar o cabelo dos companheiros. Alguns se voluntariaram, mas outros foram pegos de surpresa, a contragosto, e a brincadeira acabou causando mal-estar no grupo.

O episódio não impediu o Brasil, em sua primeira participação, de levantar a taça com um inquestionável 6 a 0 na final frente a Austrália – três gols de um irritado Romário e três do já sempre careca Ronaldo.

Participantes:
Arábia Saudita: Anfitriã e campeã da Copa da Ásia de 1996
Austrália: Campeã da Copa das Nações da OFC de 1996
México: Campeão da Copa Ouro da Concacaf de 1996
Brasil: Campeão da Copa do Mundo de 1994
Uruguai: Campeão da Copa América de 1995
Emirados Árabes Unidos: Vice-Campeão da Copa da Ásia de 1996
República Checa: Vice-Campeão da Eurocopa de 1996, classificada devido a desistência da campeã Alemanha
África do Sul: Campeã da Copa das Nações Africanas de 1996

Artilharia:
Romário (BRA) - 7 gols

1999

Sede: México
Campeão: México

Pela primeira vez a Copa das Confederações é realizada fora da Arábia Saudita. Melhor para a seleção mexicana, que soube usar o fator casa e conquistou o troféu derrotando o Brasil na final por 4 a 3.

Essa é até hoje a final com o maior número de gols marcados e o maior público presente, 110 mil torcedores, de todas as edições. Os jogos foram realizados no Estádio Jalisco, em Guadalajara, e no Estádio Azteca, na Cidade do México.

Participantes:
México: Anfitrião e campeão da Copa Ouro da Concacaf de 1998
Arábia Saudita: Campeã da Copa da Ásia de 1996
Egito: Campeão da Copa das Nações Africanas de 1998
Bolívia: Vice-campeã da Copa América de 1997
Alemanha: Campeã da Eurocopa de 1996
Nova Zelândia: Campeã da Copa das Nações da OFC de 1996
Brasil: Campeão da Copa América de 1997 e vice-campeão do Mundo de 1998
Estados Unidos: Vice-Campeão da da Copa Ouro da Concacaf de 1998

Artilharia:
Cuauthémoc Blanco (MEX), Marzouq al-Otaibi (ARA) e Ronaldinho (BRA) – 6 gols

2001

Sede: Japão e Coreia do Sul
Campeão: França

A partir desta edição, a Fifa decidiu que a Copa das Confederações seria uma espécie de evento-teste para a Copa do Mundo. Desta forma, Japão e Coreia do Sul receberam as oito seleções classificadas em seis cidades-sede diferentes.

A França, campeã da Copa do Mundo anterior, derrotou no torneio os dois anfitrões da Copa de 2002 e levantou o caneco. Na fase de grupos, a Tricolore goleou a Coreia do Sul por 5 a 0 e, na decisão, derrotou o Japão por 1 a 0. O Brasil perdeu para a França na semifinal e para a Austrália na decisão do terceiro lugar.

Participantes:
Japão: Anfitrião e campeão da Copa da Ásia de 2000
França: Campeã do Mundo de 1998 e da Eurocopa de 2000
Austrália: Campeã da Copa das Nações da OFC de 2000
México: Campeão da Copa das Confederações de 1999
Coréia do Sul: Anfitriã
Camarões: Campeão da Copa das Nações Africanas de 2000
Brasil: Campeão da Copa América de 1999
Canadá: Campeão da da Copa Ouro da Concacaf de 2000

Artilharia:
Shaun Murphy (AUS), Éric Carrière (FRA), Robert Pirès (FRA), Patrick Viera (FRA), Sylvain Wiltord (FRA), Hwang Sun-Hong (COR) e Takayuki Suzuki (JAP) – 2 gols

2003

Sede: França
Campeão: França

A sexta edição da Copa das Confederações será sempre lembrada pela trágica semifinal no Estádio de Gerland, em Lyon. No dia 26 de junho, Camarões vencia a Colômbia, quando no minuto 72 de jogo, o atleta africano Marc-Vivien Foé desabou no centro do gramado. O ataque cardíaco fulminante deixou em choque na comunidade esportiva mundial.

O episódio acabou ofuscando a vitória da França sobre Camarões por 1 a 0 na final. A seleção francesa se tornou, assim, a única, ao lado da brasileira, a conquistar a Copa das Confederações mais de uma vez.

Participantes:
Japão: Campeão da Copa da Ásia de 2000
França: Anfitrã e campeã da Eurocopa de 2000
Colômbia: Campeã da Copa América de 2001
Nova Zelândia: Campeã da Copa das Nações da OFC de 2002
Turquia: Terceiro colocado da Copa do Mundo de 2002*
Camarões: Campeão da Copa das Nações Africanas de 2002
Estados Unidos: Campeão da da Copa Ouro da Concacaf de 2002
Brasil: Campeão da Copa do Mundo de 2002

Artilharia:
Thierry Henry (FRA) – 4 gols

* Turquia classificada devido à dupla classificação da França, país-sede e campeão da Eurocopa de 2000, e pela desistência da Alemanha, vice-campeã mundial.

2005

Sede: Alemanha
Campeão: Brasil

A partir do torneio na Alemanha, a Copa das Confederações passou a ser realizada a cada quatro anos, formalizando o padrão mantido até hoje.

Após uma classificação aos trancos e barrancos na fase de grupos (3 a 0 na Grécia, 0 a 1 contra o México e 2 a 2 com o Japão), a seleção brasileira derrotou os anfitriões nas semifinais por 3 a 2 e enfrentou a Argentina na final.

A partida era repeteco da final da Copa América do ano anterior, mas desta vez o Brasil não precisou das cobranças de pênaltis para sagrar-se campeão. A Seleção fez 4 a 1 nos arquirivais e ergueu seu segundo caneco da Copa das Confederações.

Participantes:
Alemanha: Anfitriã
Tunísia: Campeã da Copa das Nações Africanas de 2004
Argentina: Vice-campeã da Copa América de 2004
Austrália: Campeã da Copa das Nações da OFC de 2004
México: Campeão da da Copa Ouro da Concacaf de 2003
Brasil: Campeão da Copa do Mundo de 2002 e da Copa da América de 2004
Japão: Campeão da Copa da Ásia de 2004
Grécia: Campeã da Eurocopa de 2004

Artilharia:
Adriano (BRA) – 5 gols

2009

Sede: África do Sul
Campeão: Brasil

Com o aproveitamento de 100%, cinco vitórias em cinco jogos, o Brasil conquistou a sua terceira Copa das Confederações e alcançou, assim como em Copas do Mundo, o status de maior campeão do torneio.

A final contra os Estados Unidos foi um teste de nervos para o torcedor brasileiro. No intervalo da partida, os americanos venciam por 2 a 0, mas com dois gols de Luis Fabiano e um do capitão Lúcio a cinco minutos do fim, a virada brasileira foi decretada.

Participantes:
África do Sul: Anfitriã
Espanha: Campeã da Eurocopa de 2008
Iraque: Campeão da Copa da Ásia de 2007
Nova Zelândia: Campeã da Copa das Nações da OFC de 2008
Itália: Campeã da Copa do Mundo de 2006
Estados Unidos: Campeão da da Copa Ouro da Concacaf de 2007
Egito: Campeão da Copa das Nações Africanas de 2008
Brasil: Campeão da Copa América de 2007

Artilharia:
Luis Fabiano (BRA) – 5 gols

  • Autoria Philip Verminnen
  • Edição Rafael Plaisant