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Polícia ocupa a Vila Cruzeiro

por Redação Carta Capital — publicado 25/11/2010 11h17, última modificação 25/11/2010 19h21
Favela é considerada reduto de traficantes expulsos de outras comunidades pelas UPPs. Cerca de 200 criminosos fogem para o Complexo do Alemão. Deputados apresentam proposta de comissão para investigar avanço da violência

Nota atualizada às 19h10

Um dos principais locais de atuação do tráfico no Rio de Janeiro, a favela Vila Cruzeiro, foi ocupada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), com apoio de 30 fuzileiros navais e blindados da Marinha, no fim da tarde desta quinta-feira 25, após dois dias de confronto. É a primeira vez em anos que a polícia consegue chegar ao topo do morro. Depois da entrada do Bope, cerca de 200 criminosos fugiram da favela em direção ao complexo do Alemão. A fuga ocorreu por uma estrada de terra que corta o morro do Caricó, que é desabitado, conhecida como "inferno verde". A assessoria da PM informou que unidades já estão no Alemão para uma nova investida durante a noite.

Segundo o jornal “O Globo”, desde a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a Vila Cruzeiro passou a receber traficantes de outras comunidades cariocas. Ao mesmo jornal, o comandante do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Álvaro Garcia, disse que o Bope permanecerá na favela por tempo indeterminado para implantação de uma UPP posteriormente.

Os deputados federais Chico Alencar (Psol) e Luiz Couto (PT) anunciaram que irão apresentar, na próxima semana, na comissão de Direitos Humanos da Câmara, um requerimento propondo a formação de uma comissão parlamentar para visitar o Rio de Janeiro e conversar com autoridades sobre o avanço da violência.

O jornal "O Dia" informou que, no fim da tarde de quinta-feira, uma bomba explodiu dentro de um supermercado em Bonsucesso. Segundo o jornal, apenas uma pessoa se feriu.

Participam da operação 120 homens do Bope além de 30 fuzileiros navais. Seis tanques blindados da Marinha modelo M113 serão utilizados para furar os bloqueios dos traficantes. O efetivo militar participa da invasão apenas para dar apoio logístico e para a condução dos veículos. De acordo com o comandante do Estado Maior da PM, as metralhadoras .50, que fazem parte do armamento dos blindados e têm capacidade para abater helicópteros, não serão utilizadas.

O Bope, recebeu nesta quinta-feira equipamentos da Marinha para ajudar no combate à violência. Um dos Caveirões, blindados considerados as “jóias da coroa” do grupo, foi incendiado e teve os pneus furados durante a entrada em uma favela na terça.

Entenda o conflito
Desde a terça-feira 23, bandidos têm feito ataques em toda a cidade do Rio e na Baixada Fluminense. Ônibus foram queimados e bases da polícia metralhadas. Na madrugada de hoje, um microônibus foi incendidado. Os bandidos não deixaram os poucos passageiros descerem antes de atirarem gasolina no veículo e incendiá-lo, mas ninguém se feriu. O número de mortos desde o início do confronto já chega a 34 – na maioria, mortos pela polícia nas ações de repressão. Mais de cem pessoas foram presas.

Pela manhã, um carro, uma moto e um ônibus foram queimados na Avenida Brasil, uma das mais importantes da capital. Carros também foram queimados em Vila Isabel e na Barra da Tijuca.

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