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Ator americano Philip Seymour Hoffman é encontrado morto em NY

por AFP — publicado 02/02/2014 20h42, última modificação 02/02/2014 21h28
Premiado com um Oscar por sua atuação no filme "Capote" (2005), Seymour Hoffman foi encontrado morto em seu apartamento, aparentemente vítima de uma overdose.
AFP
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Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto sem seu apartamento

Nova York (AFP) - O aclamado ator Philip Seymour Hoffman, de 46 anos, premiado com um Oscar por sua atuação no filme "Capote" (2005), foi encontrado morto em seu apartamento em Nova York, aparentemente vítima de uma overdose.

O ator foi encontrado no chão do banheiro de seu apartamento em West Village com uma seringa no braço, vestindo short e uma camiseta, informou à AFP uma fonte policial.

"Parece uma overdose", acrescentou a fonte, enquanto outro policial disse ter encontrado um envelope contendo supostamente heroína.

No local, no entanto, não foram encontradas pílulas e os policiais tampouco viram indícios de que o ator tenha ingerido álcool. As autoridades se negaram a fazer mais comentários até ter os resultados dos exames do legista.

A polícia encontrou o corpo de Hoffman após receber um telefonema de um dos amigos do ator por volta das 11h15 locais (14h15 de Brasília).

Um dos atores mais respeitados de Hollywood com mais de 20 anos de carreira, Hoffman mantinha um relacionamento com a designer Mimi O'Donnell desde 1999, e o casal tinha três filhos.

Após saber da notícia, familiares do ator publicaram uma declaração na qual se disseram arrasados e agradeceram o apoio das pessoas.

"É uma perda trágica e repentina e pedimos que respeitem a nossa privacidade durante este momento de luto. Por favor, tenham Phil em seus pensamentos e orações", declararam.

Agentes e detetives do Departamento de Polícia de Nova York isolaram a rua onde Hoffman morava e eram vistos entrando e saindo do prédio de tijolos vermelhos de seis andares.

Jornalistas e vizinhos foram ao local, enquanto na entrada do prédio era possível ver uma rosa vermelha e um buquê de rosas brancas.

Uma vizinha, que se identificou como Janine, contou que costumava ver o ator e a família na rua.

"Sempre estavam no bairro", disse à AFP. "Meu marido o viu na semana passada. Nunca se escondiam, eram parte da comunidade aqui", contou.

Atores e celebridades reagiram rapidamente à notícia do falecimento do ator com homenagens e tributos.

"Um homem verdadeiramente amável, maravilhoso e um dos nossos melhores atores, sempre", escreveu em mensagem no microblog Twitter a atriz Mia Farrow.

Uma trajetória extensa e plena

Ator de cinema e de teatro, Hoffman tem uns cinquenta filmes no currículo. Era extremamente querido e respeitado em Hollywood, principalmente pela escolha de seus papéis. Ele trabalhava tanto em filmes dos grandes estúdios quanto em produções independentes.

Sua atuação no papel de Scotty J., no filme "Boogie Nights - Prazer sem Limites", de 1997, o lançou à fama. Nove anos depois, conquistou o Oscar de melhor ator ao personificar o escritor Truman Capote, papel que também lhe rendeu o Globo de Ouro.

Foi indicado outras três vezes pela Academia, como ator coadjuvante por "Charlie Wilson's War" (2008), "Doubt" (2009) e por um de seus últimos filmes, "O Mestre" (2013).

Nascido em 23 de julho de 1967 em Rochester, estado de Nova York, Philip Hoffman era o terceiro de quatro filhos de um executivo da empresa Xerox e uma dona de casa feminista, que se divorciaram quando ele tinha nove anos.

Praticante de esportes, o jovem corpulento envolveu-se no teatro escolar após sofrer uma lesão. Em 1989, ele se formou em artes dramáticas na Universidade de Nova York, embora tenha mergulhado por um tempo em álcool e drogas.

Após incorporar o sobrenome do avô, Seymour, ao seu nome de batismo, ele fez sua estreia nos cinemas em um filme independente em 1991, intitulado "Triple Bogey on a Par Five Hole" (sem título em português), dirigido por Amos Poe.

No thriller criminal de Anthony Minghella, "O Talentoso Ripley", Hoffman roubou a cena dos astros Matt Damon, Jude Law e Gwyneth Paltrow no papel coadjuvante do escorregadio e esnobe Freddie Miles.

O dedicado ator atuou, ainda, como o jornalista musical Lester Bangs de "Quase Famosos" (2000), de Cameron Crowe, e teve papéis relevantes em "Magnólia" (1999), de Paul Thomas Anderson, estrelado por Tom Cruise; "Ninguém é Perfeito" (1999), de Joel Shcumacher, no qual ele interpretou uma 'drag queen' melodramática, personagem oposto ao de Robert De Niro; e em filmes de grande orçamento, como o vencedor do Oscar "Cold Mountain" (2003), também de Minghella.

Apesar da carreira brilhante, o ator se mantinha modesto.

"Estrela de cinema? Simplesmente não consigo me identificar com isso", afirmou em entrevista concedida em 2009.