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Sociedade

Sustentabilidade

As noivas, o sultão e as mudanças climáticas

por Milton Nogueira — publicado 01/07/2010 15h16, última modificação 19/08/2010 15h32
Assim deveria ser a sustentabilidade, uma geração decide adotar políticas e a organizar-se de modo a legar para a próxima um melhor acesso a recursos naturais, sem destruir a natureza

Assim deveria ser a sustentabilidade, uma geração decide adotar políticas e a organizar-se de modo a legar para a próxima um melhor acesso a recursos naturais, sem destruir a natureza

Ha séculos, diz a lenda, um sultão da Albânia decretou que as noivas deveriam plantar uma oliveira antes do casamento. As famílias gostaram da idéia e, com o passar das gerações, compuseram músicas e poemas, ensaiaram danças, costuraram trajes lindos e transformaram o plantio da oliveira numa festa cheia de emoção e esperança. As noivas plantaram também tâmara, limão, figo, pêra, cereja, maçã. Hoje, a Albânia, embora seja o país mais pobre da Europa, não precisa importar frutas e alimentos. Pode ser pobre, mas não passa fome. Graças às noivas. 

Assim deveria ser a sustentabilidade, uma geração decide adotar políticas e a organizar-se de modo a legar para a próxima um melhor acesso a recursos naturais, sem destruir a natureza. 

Será que a humanidade, em face da violência climática, fará como as noivas albanesas e plantará soluções para o futuro? Irão os governos fixar normas impopulares, mas, necessárias? Como pode o cidadão ajudar? 

A mudança do clima, um dos mais graves problemas mundiais, com o aumento de epidemias, perda de safras agrícolas, secas, enchentes, furacões e migrações, resulta da queima de carvão mineral, petróleo e gás natural, que emitem gás carbônico. Uma vez na atmosfera, os gases aí permanecem por séculos. 

É preciso achar uma solução urgentemente, mas como? Duas das mais eficientes e imediatas soluções são o combate ao desmatamento e o plantio de árvores, bilhões de árvores. Tal como a campanha iniciada por Wangari Maathai, prêmio Nobel da Paz e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma. 

Eis a pequena utopia: criar condições para as pessoas plantarem árvores ou “apadrinharem” florestas, a propósito de celebrar algo emocionante na sua vida. Nasceu um bebê? Plante árvores. Vai casar? Formou-se em medicina? Começou novo emprego? A seleção brasileira ganhou? Gilberto Gil compôs novas músicas? Tudo pode ser motivo para plantar árvores, que por sua vez irão retirar da atmosfera os gases que infernizam nossas vidas. 

Aqueles que não tiverem como plantar árvores, ainda assim poderiam agir para proteger as florestas existentes, por exemplo, participando de campanhas contra o desmatamento, votando em candidato amigo da natureza, diminuindo o desperdício no consumo.
Os jovens indígenas respeitam da floresta, para ela não abandoná-los na velhice.
As noivas dirão: plantemos a natureza para ela cuidar de nós e de nossos filhos.