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As lições da Eurocopa

por Redação Carta Capital — publicado 06/07/2012 12h17, última modificação 06/07/2012 12h21
É exagero dizer que a seleção italiana representa métodos e estrutura velhos de um velho país, como afirmou seu treinador
Balotelli

O atacante Balotelli: destaque da semifinal não brilhou na decisão. Foto: DAMIEN MEYER / AFP

Por Afonsinho

 

A Espanha continua a reinar no futebol. Botou a bola no chão e os italianos pra rodar. A Itália optou por atacar os germânicos em seu campo de defesa. Surpreendeu todo mundo, não só os alemães. Venceu bem e mostrou uma tendência de sair do seu padrão tradicional, mais fechado, na defesa. Quando tudo fazia parecer que a Itália amadurecia a cada jogo e os espanhóis se desestruturavam pouco a pouco, a final mostrou o contrário.

 

A Itália jogou seu máximo no penúltimo jogo. Muito comum acontecer isso. É frequente um time atingir seu ápice antes da final e se exaurir em seu lado emocional. Além disso, nas semifinais, jogou um dia depois, com um adversário favorito nas apostas, louvado e tudo. Teve um dia a menos de recuperação.

A declaração do seu treinador desolado após o jogo foi enfática: “Somos um país velho, estamos velhos, com métodos e estrutura velhos”. Talvez seja um exagero da parte dele.

A Espanha fez com a Itália o que esta fez com a Alemanha. Arrastou-a para seu estilo de jogo. Atordoados, os italianos não conseguiram reagir nem na volta para o segundo tempo. Perdiam por 2 a 0. Enredados, não acharam saída. Torço para que os italianos não desistam de ser ousados e apostem na renovação após essa derrota marcante.

No lado esquerdo da sua defesa, um jogador estava bem abaixo do nível dos defensores italianos. Só alguma contusão do titular poderia explicar. Exatamente o oposto do lado esquerdo espanhol que apresentou um jovem bom de bola, Jordi Alba em forma estupenda. Abafou. Já contratado pelo Barcelona fez um gol em sincronia perfeita com o sensacional Xavi. Outro jovem espetacular, Davi Silva, movimenta-se por todo o ataque.

Entrosado com Pedro, este já mais maduro, marcou o seu depois de um passe do extraordinário Iniesta. Fez do gramado uma mesa de sinuca. Jogou uma parte sem centroavante de ofício e, na reta final, com atacante mais fixado. Uma nova geração encaixada na fineza dos “coroas”. Conseguiram vitória arrasadora que só não humilhou o time italiano pelo brio extraordinário dos jogadores vencidos. Talvez o ponto mais alto do campeonato.

Para um futebol levado a um profissionalismo extremo, tanto no comportamento quanto na própria forma de jogar, a expressão nos olhos perdidos dos italianos e as lágrimas dignificaram o momento. Existe um coração dentro daquelas camisetas coloridas. Estamos salvos. Destaque para o genial Pirlo. Disputando ser o melhor da Eurocopa, não merecia aquela dor. Ossos. Ao Balotelli restou o equívoco daquela comemoração antecipada. Não foi campeão.

Bonita a sensibilidade dos italianos que se apressaram em receber com honras seus representantes. Equilíbrio perfeito entre derrotados e vitoriosos na singeleza dos filhotes brincando pelo gramado, enquanto a festa crescia do verde para as tribunas. Estádio é lugar para namorados e jovens de todas as idades. Dizem bem os apaixonados pela bola, futebol sem criança e cachorro não existe. A alegria contagiante do zagueiro Sergio Ramos, do vestiário à festa, e a serenidade do grande Del Bosque abriram e fecharam o espetáculo.

Tudo que antecedeu a finalíssima parece distante, mas aconteceram movimentos importantes durante as disputas. Favoritos foram despachados mais cedo. “Zebras” sustentaram torcidas de países encurralados pela crise. Os próprios vencedores não vão lá bem das pernas. Tempo de pensar no futuro.

Passando os Jogos Olímpicos, o Campeonato Brasileiro leva até o fim do ano. A proximidade da Copa das Confederações aquecendo o Mundial já começa a provocar ansiedade. Mudanças importantes se insinuam. A festa promete ser boa, mas e a nossa Seleção? Será que os espanhóis desta vez vão cantar as Touradas em Madri?

Que se firme a Alemanha, se confirmem a Itália e a Rússia pelo menos, e retorne a Holanda ao seu ninho antigo. A Copa de 2014 será no Brasil e não há lugar melhor para o futebol recuperar sua alegria. Que seja reflexo de melhores dias para todos.

Em tempo: Completa cem anos o clássico Fla-Flu. Mesmo sem o Maracanã, sua moldura mais expressiva, merece uma festa bonita. A ganância não pode continuar esvaziando um acontecimento tão magnífico, a ponto de a partida ser disputada às vezes com equipes reservas por causa do calendário atropelado.

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