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As cidades e a economia mundial

por Paulo Daniel — publicado 10/02/2012 11h12, última modificação 06/06/2015 18h58
A orientação do núcleo econômico urbano não é dada pelas atividades manufatureira, mas por um complexo financeiro e de prestação de serviços

Com a internacionalização econômica, surgiu um novo arranjo espacial urbano. A orientação do núcleo econômico urbano não é dada pelas atividades manufatureira, mas por um complexo financeiro e de prestação de serviços.

Neste sentido, a implantação de processos e mercados globais, em consonância com o setor internacionalizado da economia expandiu-se profundamente e impôs uma nova dinâmica da valorização da terra e da produção de produtos e serviços.

As cidades passam a ser locais de produção para as principais indústrias que prestam serviços na atualidade, daí decorre o fato, das matrizes das grandes corporações, não estarem necessariamente localizadas nas cidades globais, afinal são complexos de prestações de serviços que atendem estas empresas e que, portanto, necessitam de uma localização em cidades específicas, onde a aglomeração é fundamental, como forma de controle global exercida pelas cidades, expressando estas, o poder das grandes corporações.

Por exemplo, em Toronto, a maior cidade do Canadá, apesar de ter seu distrito financeiro estruturado somente nos anos oitenta, apresenta elevado índice de concentração no setor, inclusive com uma infraestrutura totalmente estruturada e reestruturada para atendê-lo, demonstrando o poder de concentração espacial desempenhado por este setor.

Esse intenso processo de urbanização, realizado sem um tipo de planejamento orientado a partir da participação daqueles que vivem nas cidades, submetido apenas a uma lógica de crescimento desigual e, ao mesmo tempo combinado, inevitavelmente vem acompanhado de projeções que nada alentam em termos imediatos no que se refere às condições de vida para a população.

A saída para as mazelas socioambientais que nos espaços urbanos manifestam-se tão fortemente está vinculada à possibilidade de os diversos setores da sociedade civil construir seu próprio projeto de cidade, que seja inclusiva e ambientalmente justa.

Para tanto, a urbanização deve ser encarada como processo histórico mundial com forte tendência a sua intensificação, o que torna imprescindível o estudo sistemático do objeto urbano, que deve ser apreendido e compreendido, numa perspectiva totalizadora, como requisito para a construção social da utopia de um tipo de cidade/sociedade feliz, humanizada e humanizadora da espécie humana.

Esse objetivo, encarado como possibilidade histórica, pressupõe conhecimento da realidade, experiências de lutas e conquistas resultantes da ação concreta, principalmente daqueles(as) que vivem do trabalho, por dentro da ordem social vigente, através de ações socioespaciais reformadoras que ajudem a compor um leque de ações que consolidem uma determinada estratégia de planejamento de uma cidade para todos.

No caso brasileiro, enfrentamos, nos mais diversos municípios do país, os problemas imanentes às cidades capitalistas, agravados por um padrão intrínseco de sua acumulação. Se por um lado não se pode cair no “administrativismo”, por outro, precisa constituir-se um espaço da sociedade civil de planejamento e execução de soluções aos seus problemas concretos imediatos ou estratégicos.

Neste ponto, ao assumir a possibilidade da transformação estrutural como um momento que pressupõe um processo certamente longo de acúmulo de forças, há de se pensar, nessa perspectiva, um programa de caráter democrático no qual a dimensão urbana seja posta na medida de sua importância estratégica.

A cidade é a janela entreaberta por onde se pode vislumbrar o futuro. Ela manifesta uma contradição fundamental, ao mesmo tempo em que enseja a acumulação ampliada de capital, é, também, o local de lutas e conquistas imprescindíveis para a superação de seus antagonismos sociais.

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