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Sociedade

Câncer de mama

Decisão de Angelina Jolie foi acertada, dizem especialistas

por Paloma Rodrigues — publicado 18/05/2013 10h16, última modificação 19/05/2013 11h25
Médicos ressaltam o raro alto índice de risco de câncer da atriz. Outras maneiras de prevenção são indicadas para a população em geral, afirmam
Kazuhiro Nogi / AFP
Brad Pitt e Angelina Jolie

Em artigo, Angelina Jolie relatou a experiência da dupla mastectomia pela qual passou

Em artigo publicado no The New York Times na terça-feira 13, a atriz Angelina Jolie anunciou sua decisão de fazer uma mastectomia, operação que remove a glândula mamária, para reduzir os riscos de câncer de mama. Segundo os exames, a atriz tinha 87% de chances de contrair a doença nos órgãos e 50% nos ovários. A cirurgia preventiva levanta uma dúvida: foi a melhor opção?

Especialistas na área acreditam que no caso da atriz norte-americana, de 37 anos, a decisão foi acertada, considerando a alta porcentagem de chance de incidência de câncer. “O risco era altíssimo, o nível mais elevado. Nesse caso, foi uma decisão acertada”, explica Eduardo de Lyra, coordenador do Departamento de Mastologia do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer.

Antonio Frasson, oncologista do Hospital Albert Einstein, concorda, mas observa: “A grande maioria das pacientes com câncer de mama não necessita fazer mastectomia bilateral. Ela é recomendada para mulheres com teste genético positivo, cerca de 5% a 10% dos casos”.

A retirada de parte das glândulas mamárias é indicada quando o risco do paciente é considerado extremamente alto. A decisão não é simples. Segundo a oncologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, em São Paulo, Walkiria Tamelini, um corpo interdisciplinar de profissionais, incluindo psicólogos, precisa assessorar o paciente durante o período em que ele decide a forma de prevenção. “É sempre algo questionável [a decisão]. Depende do contexto de cada caso”, diz ela. "O mais importante é que a paciente saiba os riscos da cirurgia em si e da cirurgia plástica”.

Para os casos onde a probabilidade da incidência de câncer é menor, outros trabalhos de prevenção são indicados, como a mamografia e a ressonância magnética, a serem realizadas anualmente.

À Angelina é creditada a abertura de um debate positivo. O dr. Eduardo Lyra acredita que seja necessário rever as recomendações de prevenção do Ministério da Saúde. “Especialmente no Brasil, vivemos em um País onde o Ministério da Saúde preconiza a mamografia a partir dos 50 anos. Estamos muito atrasados”. Ele alerta para os trabalhos contínuos de prevenção mesmo em mulheres jovens. “As recentes publicações indicam que o número de pessoas jovens com câncer de mama está aumentando. O Ministério da Saúde ainda está atrasado nesse sentido.”

As previsões para 2013 é de que 60 mil novos casos de câncer de mama sejam diagnosticados, segundo cientistas da universidade de Lyon apontaram no relatório World Breast Cancer Report, lançado no ano passado.