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Sociedade

Rio de Janeiro

Ameaçado por traficantes, Afroreggae deixa o Alemão

por Agência Brasil publicado 21/07/2013 07h46, última modificação 22/07/2013 09h38
“Iam matar a gente, pessoas inocentes, jogar bomba”, disse o coordenador José Júnior. “Não podemos colocar ninguém em risco, por isso fechamos as portas”
Flickr / Tikka Meszaros / Creative Commons
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A sede da ONG no complaxo do Alemão, em registro de 2012

A organização não governamental (ONG) AfroReggae decidiu hoje (20) encerrar as atividades no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, depois de sofrer ameaças de traficantes. O anúncio foi feito menos de uma semana depois do incêndio que destruiu a sede da ONG na comunidade. A ação ocorreu terça-feira (16) e é investigada pela Polícia Civil.

O coordenador da organização, José Júnior, disse que foi informado das ameaças por um líder comunitário, que passou a mensagem do tráfico de drogas. A comunidade conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Na opinião de Júnior, se o grupo decidisse permanecer os criminosos poderiam atacar a instituição com bombas, o que implicaria também riscos para os funcionários ou usuários dos projetos do AfroReggae.

“Recebemos ameaças de morte, disseram que ia matar a gente, pessoas inocentes, iam [jogar] bomba”, revelou o coordenador. “A gente não pode colocar ninguém em risco, por isso, decidimos fechar as portas”, completou. Segundo ele, depois do aviso do líder comunitário, moradores do Alemão confirmaram as ameaças dos traficantes, o que deixou a instituição sem saída.

O AfroReggae está há 12 anos no Alemão onde atendia a 350 jovens, com aulas de percussão, grafite, música e teatro, um esforço para manter jovens longe do tráfico de drogas e oferecer possibilidades de capacitação profissional e valorização.

Para a organização, o pastor Marcos Pereira, preso por estuprar fiéis, é um dos chefes do tráfico de drogas na favela e está por trás das ameaças e ataques ao AfroReggae. “Ele é um dos líderes do crime no Rio”, disse Júnior.