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Alunos de medicina da USP de Ribeirão Preto pedem saída de diretor

por Redação Carta Capital — publicado 19/03/2013 17h42, última modificação 06/06/2015 18h24
O novo diretor escolhido pelo reitor Grandino Rodas mesmo tendo ficado em 2º lugar nas eleições internas

*Atualizado às 12h13 de quarta-feira 20.

Os alunos da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto pedem a renúncia do novo diretor da instituição, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, escolhido pelo reitor da universidade, João Grandino Rodas. A indicação provocou a paralisação das aulas em protesto à escolha do candidato, segundo colocado nas eleições internas - atrás do professor Luiz Ernesto de Almeida Troncon. É a primeira vez desde o fim do regime militar, em 1985, que o primeiro colocado na lista não é indicado ao cargo.

Os estudantes decidiram em assembleia na sexta-feira 15, um dia após Carlotti aceitar o cargo, que ficariam em greve nesta terça-feira 19 e na quarta-feira 20. Além disso, um grupo de 50 alunos da faculdade foi ao campus da USP em São Paulo protestar na reitoria contra a "escolha autoritária”.

Após realizar manifestações com uma bateria e faixas em frente à reitoria, alguns integrantes do grupo disseram à reportagem terem sido recebidos para uma “conversa informal” com Alberto Carlos Amadio, chefe de gabinete de Rodas.

“Não concordamos com a maneira como a reitoria nos trata, mas ainda assim foi uma vitória ter conseguido entrar porque isso geralmente sequer acontece”, conta uma estudante de medicina que não quis se identificar.

    

Segundo outro estudante, três membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e três do Centro Acadêmico Rocha Lima de Ribeirão estiveram no encontro de cerca de uma hora. “Questionamos a motivo da opção do reitor em ir contra a vontade da comunidade acadêmica, mas o chefe de gabinete apenas alegou que a decisão é legítima e está no estatuto. Não apresentou um motivo acadêmico ou técnico para a escolha”, diz o jovem que participou da conversa.

Os alunos deixaram um convite para uma reunião entre Rodas, o centro acadêmico e a direção da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, mas não houve uma confirmação sobre o novo encontro.

Protestos em Ribeirão

Enquanto o grupo estava em São Paulo, o campus de Ribeirão recebeu apoio de alunos de outros cursos. Os estudantes realizaram uma passeata na cidade e uma manifestação com atendimento à população em uma praça local.

Os alunos de medicina devem se reunir nesta quarta-feira para decidir se os protestos continuarão, conforme a resposta de Carlotti ao pedido de renúncia dos estudantes. "Ambos têm um currículo competente, mas a comunidade acadêmica entendeu que o mais preparado era o Troncon”, diz o estudante que esteve no encontro da reitoria em São Paulo.

Segundo ele, a escolha de Carlotti ocorreu devido ao apoio de um ex-diretor da Faculdade “muito ligado a Rodas”. Outro fator incomum na decisão, diz, é que o diretor é um professor de nível três associado, que não costumam ser indicado ao cargo de direção. Um abaixo assinado de alguns docentes de mesmo nível teria influenciado Rodas a “democratizar o acesso ao poder”. “Esse documento não representa todos os professores associados.”

USP diz que estatuto permite a escolha

A USP reforçou, em nota a CartaCapital, que o artigo 46 do Estatuto da Universidade de São Paulo permite que o diretor e o vice-diretor das unidades da instituição sejam escolhidos em uma lista tríplice de professores titulares ou associados de nível três, “elaborada pelos membros da Congregação ou dos Conselhos de Departamento das próprias Unidades, especialmente reunidos para essa finalidade.” “Essa lista é encaminhada ao reitor, a quem cabe a escolha de qualquer um dos nomes.”

Segundo a USP em Ribeirão Preto, os três professores da lista foram entrevistados pelo reitor e tiveram a oportunidade de mostrar suas propostas de gestão. Rodas disse em um programa de rádio da universidade que a escolha é “democrática”  e que “os três nomes tinham credenciais para ocupar o cargo e um fato importante foi a presença na lista de um professor associado nível três.”

Ele lembrou que estatuto da USP foi modificado há cerca de cinco anos para poder permitir a progressão horizontal de docentes Doutores e Associados. Com isso, professores associados nível dois sejam podem ser candidatos à chefia de departamentos e os associados nível três podem concorrer a diretores de unidades.

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