Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Agora é só passar o cartão

Sociedade

Tão Gomes

Agora é só passar o cartão

por Tão Gomes — publicado 16/12/2011 17h42, última modificação 16/12/2011 18h03
Os rapazes que optam por esse tipo de contravenção estão usando máquinas on-line portáteis. Trata-se da modernização do jogo do bicho
Mario Tricano

Pego no ato: Mario Tricano, ex-prefeito de Teresópolis. Foto: STE

Gente, a capacidade do homem para inventar engenhocas, que às vezes não servem para nada – vide Steve Jobs – é notável.

Nesta quinta-feira, 15, por exemplo, a polícia apreendeu carros de luxo e dezenas de pessoas na região serrana do Rio. Entre eles foi no embrulho o ex-prefeito de Teresópolis, Mario Tricano. Só de automóveis, foram oito. Mais um milhão em dinheiro.

Dada a região onde se realizou fica fácil adivinhar o nome da “operação”: Dedo de Deus.

Os veículos apreendidos pertenciam ao celebrado Luizinho Drumond, presidente da Imperatriz Leopoldinense, que se encontrava até hoje na situação incômoda de foragido, junto com ou habitué dessas ações policiais, o Anísio da Beija-Flor e mais um punhado de nomes pouco badalados pela mídia.

Os carros do Luizinho? Pois não: entre eles, um Cadillac SRX4, um Ford Fusion e um Range Rover.

O mais interessante, no entanto, a imprensa – pelo menos a que chega ao meu conhecimento – não conta.

Trata-se da modernização do jogo do bicho. Os rapazes que optam por esse tipo de contravenção estão usando máquinas on-line portáteis, semelhantes às de cartão de crédito.

O cliente chega no balcão (antigamente se dizia “ponto”) digita os números e os dados são automaticamente enviados para uma central, computados, e quem jogou recebe ainda da maquininha um comprovante.

O novo sistema permite o acompanhamento em tempo real das apostas com identificação simultânea dos números apostados, o que permite ao operador da banca manipular os resultados, já que é ele mesmo quem faz o sorteio.

Genial essa invenção! Ela permite inclusive uma drástica redução no numero de “anotadores”, aquele pessoal que ficava andando pelas ruas do bairro “catando” as apostas. Sim, porque basta o ex-apontador deixar numa loja de CDs, por exemplo, uma dessas maquininhas com a recomendação “amanhã” eu passo aqui para checar o movimento. Nesse “amanhã” está dito tudo, correto?

A polícia está investigando o assunto há um ano e sabe, inclusive, que o projeto foi desenvolvido pela Projeta Tecnologia & Projetos, com sede na Bahia e com o nome dos sócios, que estão também na condição de foragidos.

Se eu pudesse daria um conselho a eles. Contratem um bom advogado e se entreguem.

Se forem condenados, pegam uma pena leve (dois anos, no máximo) sempre reduzível para um ano por bom comportamento.

No dia em que deixarem a prisão vai ter uma multidão de headhunters, além de funcionários de empresas de Tecnologia da Informação, cada um com uma proposta de salário mais atraente.

E vocês terão comprovado minha tese, a de que, no Brasil,  o crime acaba sempre compensando.

 

registrado em: