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Sociedade

Manifestação

A vez da Favela do Moinho

por Lucas Conejero — publicado 05/07/2013 23h03, última modificação 06/07/2013 16h39
Moradores protestam em SP devido à demora da prefeitura em promover a regularização da comunidade. Texto e fotos de Lucas Conejero
Lucas Conejero
Favela do Moinho

Moradores da Favela do Moinho fazem protesto no centro de SP

Uma manifestação pela regularização fundiária e urbanização da favela do Moinho, na zona oeste de São Paulo, reuniu aproximadamente 200 pessoas na tarde de sexta-feira 5 nas ruas da região central da cidade. O ato terminou por volta das 18 horas no prédio da prefeitura, onde uma comissão de moradores foi recebida por representantes do prefeito Fernando Haddad (PT).

A marcha fechou completamente o trânsito da Avenida Rio Branco no sentido centro e contou com a presença de muitas famílias da comunidade, além de militantes de movimentos sociais, como o MST e o Movimento Passe Livre. Viaturas e motos da PM acompanharam o ato. Não houve confrontos ou provocações.

Localizada em um terreno sob o Viaduto Orlando Murgel, a favela do Moinho existe há 16 anos e foi atingida por dois grandes incêndios desde o final de 2011. Segundo informações dos moradores, aproximadamente mil pessoas ainda residem no local. Os incêndios deixaram 480 desabrigados.

Ainda de acordo com os moradores, a especulação imobiliária da área pode estar vinculada aos desastres e uma investigação séria para descobrir as causas dos incêndios se faz presente na pauta do movimento.

Coordenador geral da favela, Humberto Rocha informou que a Justiça já concedeu o usucapião à comunidade, “mas ainda faltam as escrituras de posse e a solução dos problemas de infra-estrutura, como a falta de água, luz e saneamento básico”.

Rocha lembrou que essas foram promessas de campanha do atual prefeito. “Inclusive, o Haddad veio até aqui e gravou um programa para sua propaganda na tevê."

Caio Castor, outro representante dos moradores do Moinho, lembrou que a linha do trem passa no meio dos barracos, a poucos metros da entrada da favela, onde a circulação de pessoas é constante.

“Seguranças da CPTM e policiais ferroviários controlam os pedestres. Mesmo assim, o risco de acidente é grande, sobretudo pela grande quantidade de crianças na comunidade. Esses e outros fatores tornam urgente uma reforma por aqui”, diz Caio.

Para Herenilde Ramos, que passou 12 dos seus 50 anos na favela, é preciso ir até a prefeitura para cobrar agilidade. “O Haddad veio aqui e a gente acreditou na sua palavra. Ele prometeu que trabalharia duro pela nossa gente. Já se passaram seis meses de gestão e nada foi feito no sentido de resolver nossos problemas."