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Sociedade

Cariocas (Quase Sempre)

A vez da dona rotina

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 31/10/2010 19h50, última modificação 01/11/2010 11h58
Com o fim da campanha eleitoral, é hora de saber quem serão as rainhas de bateria das escolas de samba e entrar em clima de Natal

Chegamos a este início de novembro fartos de uma campanha eleitoral que nos entrou pelos sete buracos de nossa cabeça, como diria música de grande impacto, A Tua Presença, em voz de Maria Bethânia. Não sem tempo e em boa hora, começaremos a semana sabendo o nome do novo presidente do Brasil.

Estamos livres, enfim, do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV e dos jingles e vídeos engraçadinhos, acusatórios, e de grandiosos e vertiginosos voos rasantes sobre o território nacional.

É hora, enfim, de deixar vir o climão de Natal que já se instala em lojas e shoppings e aguentar aqueles papais noéis terceirizados a nos saudar pelos sete buracos da nossa cabeça com seus enjoados rou-rou-rou.

Outro assunto que imediatamente entrará em pauta serão as rainhas de bateria das escolas de samba no Rio e em Sampa. Esse rebolation anual de divas naturais e construídas, que se mudam daqui para lá, parece até a dança das cadeiras nos clubes no com seus técnicos de futebol.

Haverá também o ecoar dos novos sambas de enredo das grandes agremiações. Torcemos que este ano se produzam alguma obra do porte de poucas e boas que ficaram de Carnavais que nem vão tão longe assim.

Atenção ainda para a data do início das vendas dos ingressos na Marquês de Sapucaí porque tanto os camarotes como as arquibancadas geraldinas do setor 11 terminam logo. E qual será mesmo a ordem de entrada das escolas no domingo e na segunda? E a que horas começa a apuração da campeã na quarta de cinzas? Ih, então já entramos em 2011, já temos novo presidente há mais de mês, e já se pensa no fim do horário de verão que mal acaba de começar.

Ah, mas muito antes dos quatro dias do tríduo momesmo, quantas toneladas de fogos serão detonadas pelas balsas ao mar da Guanabara no réveillon? Este ano a festa, é claro, pretende superar a do ano passado, que se supôs ser melhor que a do ano retrasado, que certamente suplantou aquela que a antecedeu. Foi o não foi? E se estamos às vésperas da Copa do Mundo e das Olimpíadas é preciso fazer mais bonito ainda.

O público esperado para ver a queimação de rojões very sofisticated na orla de Copacabana no31 de dezembro deverá será recorde e a ocupação dos hotéis já está praticamente completa. A cidade vai lotar e sempre cabe mais um; onde dorme um, dorme mais um com a ajuda de edredons e de colchonetes que passam a desfilar pelas ruas da zona Sul nas costas dos visitantes.

Mas antes tem a inauguração da árvore de Natal da Lagoa, que este ano deverá superar a do ano passado em número de luzes, na altura e na tecnologia do sistema piscante, como aconteceu no ano passado, no ano retrasado e no ano que antecedeu a esse ano.

Apesar de tudo, é melhor saudar a tal da dona rotina na área dos acontecimentos. Afinal, desastres e tragédias são inimigos da mesmice, assim como na área pessoal a morte é inimiga da vida.

Então, viva o sol que nasce todos os dias (quando não está chovendo). E por falar nele, não reclamemos quando o calor canicular que fez no verão 2010 chegar em 2011 um pouco mais assanhado. Ligue-se o ar condicionado e, caso seja necessário sair à rua, reclame um pouco mais do que fez no ano passado. E olha que não foi pouco.
No fundo, no fundo, como se diz, o futuro de todos nós a Deus pertence.

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