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A tragédia se amplia em Cuiabá e Várzea Grande

por Fórum Brasileiro de Segurança Pública — publicado 19/01/2012 13h22, última modificação 06/06/2015 18h20
Desde 2000, foram assassinadas 2827 pessoas só em Cuiabá, uma média de 257 assassinatos por ano

Por Naldson Ramos da Costa*

 

 

Em fevereiro de 2011, quando autoridades e gestores comemoravam entusiasmados a redução de 10% na taxa de homicídios em relação a 2010, não via muita razão para tal comemoração, já que a região metropolitana de Cuiabá apresenta  uma elevada taxa de homicídios.

É o que nos revela os números absolutos. De 2000 a 2011 foram assassinadas 2827 pessoas só em Cuiabá. Isso dá uma média de 257 assassinatos por ano e uma média de 48,5 homicídios por 100 mil habitantes.

 

Dados de 2010 da DHPP revelavam que nos últimos cinco anos 1.548 pessoas foram assassinadas em Cuiabá e Várzea Grande. Em 2011 tivemos 387 execuções, sendo 228 homicídios na capital e 125em Várzea Grande, seguidos de 34 latrocínios (roubo seguido de morte). Os números revelam que nos últimos 6 anos foram 1.935 execuções que resultaram em uma taxa média de 322 mortes violentas entre homicídios e execuções. Nestes 6 anos temos então uma taxa de 41,5 mortes por 100 mil habitantes na região metropolitana.

Quando se analisa estes números olhando para a capital e Várzea Grande os dados também não são nada animadores. Em 2011 Cuiabá registrou 228 homicídios e ficou com uma média de 42,5 homicídios por 100 mil habitantes. Várzea Grande com 125 mortes figura como a cidade mais violenta da região com 49,1 homicídios por 100 mil habitantes. Isto sem levar em conta as 34 execuções representadas pelos latrocínios e as lesões corporais seguidas de mortes ocorridas em 2011.

Nestes 6 anos os homicídios e as mortes violentas vêm apresentando de um ano para outro uma estatística constante. Reduz 10% num ano e aumenta no ano seguinte. Este foi o caso em relação a 2010 para 2011. Na região metropolitana tivemos um aumento de 19% em relação aos 325 crimes de 2010 que saltou para 387 em 2011. Em Cuiabá o aumento foi 14,5% comparados com 199 crimes de 2010 contra 228 homicídios de 2011.Em Várzea Grandeesse aumento foi de 12,6%: 111 homicídios em 2010 contra 125 em 2011.

Esse aumento significativo em nossa criminalidade violenta revela para a sociedade e para os gestores das políticas de segurança pública que muita coisa ainda precisa ser feita para de fato comemorarmos taxas consideradas “ideais”. A taxa de 41,5% homicídios por 100 mil habitantes na região metropolitana (últimos 6 anos), de 42,5% em Cuiabá, e de 49,1%em Várzea Grandeem 2011, são consideradas elevadas quando se compara com a média nacional de 27 homicídios por 100 mil habitantes e de 10 homicídios por 100/hab.em  São Paulo.

Um diagnóstico (2011) avaliando as políticas de segurança de Mato Grosso, em parceria entre o Tribunal de Contas de Mato Grosso e o Centro de Estudos da Metrópole CEM/CEBRAP, coordenado por Ignácio Cano e Renato de Lima, revelou um quadro crítico da violência e a criminalidade em nosso estado.

Cuiabá foi o município que apresentou a pior situação do estado no Índice de Vitimização e Criminalidade em 2010 (=7,23). Neste estudo, disponível nos site do TCE, Cuiabá aparece como o município mais violento nos quatro dos sete itens avaliados e sua situação é considerada “muito ruim”. Considerou ainda “o cenário extremo ou crítico”, pois revelou altos níveis no Índice de Vitimização e Criminalidade.

O mesmo aconteceu com o município de Várzea Grande.  No ano de 2010 o Índice de Vitimização e Criminalidade foi considerado o “terceiro mais alto do estado (=6,58), tendo apresentado situação "muito ruim" em quatro (04) dos sete indicadores da matriz de avaliação”.

Articular políticas de repressão com políticas de prevenção ainda continua sendo o grande desafio das nossas políticas de segurança, aliadas com uma boa gestão, proteção às nossas fronteiras, redução de armas em circulação, investimento em inteligência e controle das drogas. Quem são as maiores vitimas desta violência? Jovens (14-29 anos), sexo masculino, baixa escolaridade e pouca ou nenhuma capacitação profissional. Enquanto se pensar que o crime se combate apenas com repressão e mais polícia perdemos a dimensão das políticas públicas voltadas para a segurança do cidadão e da sociedade.

*Naldson Ramos da Costa, sociólogo, pesquisador na área, coordenador do Núcleo Interinstitucional de Estudo da Violência e Cidadania-NIEVCi/UFMT e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

 

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