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A minha, a nossa vez

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 09/10/2009 15h19, última modificação 21/09/2010 15h21
A primeira lembrança que tenho dos Jogos Olímpicos é a de Helsinque, 1952, e dos nomes que ficaram gravados na cabeça de um adolescente de 13 anos: Tetsuo Okamoto, o nissei de Marília que conquistou a primeira medalha olímpica de bronze para a natação brasileira, e, principalmente, Adhemar Ferreira da Silva, que “superou a possibilidade humana” ao atingir 16,22 metros no salto triplo, recorde olímpico e mundial. Meu pai me disse: “É como se você pulasse do portão daqui de casa até o fundo do quintal!” Fiquei impressionadíssimo.

A primeira lembrança que tenho dos Jogos Olímpicos é a de Helsinque, 1952, e dos nomes que ficaram gravados na cabeça de um adolescente de 13 anos: Tetsuo Okamoto, o nissei de Marília que conquistou a primeira medalha olímpica de bronze para a natação brasileira, e, principalmente, Adhemar Ferreira da Silva, que “superou a possibilidade humana” ao atingir 16,22 metros no salto triplo, recorde olímpico e mundial. Meu pai me disse: “É como se você pulasse do portão daqui de casa até o fundo do quintal!” Fiquei impressionadíssimo.

Jamais imaginei, naquele dia em nossa casa no Humaitá, Rio, que oito anos depois já estaria em Roma, 1960, como repórter e fotógrafo, penetrando nas finais do basquete vestindo um macacão de jogador brasileiro; ou em Montreal, 1976, pelo Canal 100, filmando uma Nadia Comaneci esplendorosa na ginástica; ou em Atlanta, 1996, com meus filhos Manoela e Caetano, curtindo o Dream Team do basquete e a devolução das medalhas olímpicas de 60, que haviam sido tomadas de Muhammad Ali. As outras, bem, as outras, inclusive as de Inverno, eu acompanhei pela tevê, embora a essa altura já estivesse mandando representante: Manoela, brilhante repórter, esteve em Atenas e Pequim.

Agora chegou a vez da minha, da nossa Mui Leal e Heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas. Talvez nem o mais otimista e carioca dos cariocas, o rubro-negro saudável Carlos Niemeyer, tivesse algum dia pensado nisso. Que a sua Cidade Maravilhosa seria escolhida para sede dos Jogos Olímpicos.

E ela foi mesmo, os de 2016. Coisa que hoje, como gostam de dizer, até o mundo mineral está farto de saber. Pena, pena mesmo, Carlinhos não ter vivido para participar da festa da sexta-feira 2. E das que virão nos próximos sete anos, passando pela Copa de 2014. A essa altura dos acontecimentos, já estaria promovendo um Caju Amigo diário (o nome batizava os bailes que Nini organizava, em que ninguém pagava e as garotas de todas as Ipanemas eram a maioria).

De tudo o que tem sido escrito pela escolha do Rio para as Olimpíadas de 2016, gostaria de pinçar um comentário do economista Andre Urani, do Instituto de Estudos e Trabalhos de Sociedade, citado por Merval Pereira: “Vencer uma disputa com Madri, Tóquio e Chicago, e derrotar ao mesmo tempo Obama e o rei Juan Carlos, deu uma boa massageada no ego dos cariocas e recuperou a autoestima”.

Já na sexta-feira, e durante todo o fim de semana, os cariocas de todas as idades e condições sociais, felizes da vida, só festejavam e discutiam o assunto nas praias, nos bares, no Maracanã (como aconteceu antes do Fla-Flu), enfim, por todo o Rio. Até nos tais grotões. Quem sabe os traficantes não desistem e mudam de negócio? Hehehe.

Foi para a internet que todas as opiniões, otimistas e pessimistas (há sempre vigilantes espíritos de porco), convergiram. Quem melhor resumiu esse estado de espírito foi Gustavo Poli, em seu blog: “No dia em que conquistamos o direito de sediar uma Olimpíada, o brasileiro está feliz… e cético. Comemora, mas diz que ‘vão meter muito a mão’. Está orgulhoso, mas com pé atrás. É justo. Basta olhar para o passado recente. Os céticos dirão, não sem razão, que somos especialistas em superfaturamento com vara, em orçamento a distância”.

Os cariocas começaram a se mobilizar para tomar conta de futuras safadezas com a nossa grana. Percebe-se que ninguém vai dormir de touca. Todo mundo estará de olho nos gastos federais, estaduais e municipais. É assim que se faz, que deveria ter sido feito sempre, não é, Cidade da Música?

O Rio, no sábado, amanheceu mais carioca, mais confiante no seu futuro. Amém.

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A vantagem de ser Letterman

Com seu humor fino, ele admitiu o sexo nos bastidores

Graças ao seu carisma, David Letterman deu olé quando assumiu categoricamente, em seu programa (exibido inexplicavelmente depois de
1 da madrugada no GNT e com uma semana de defasagem), a responsabilidade de ter feito sexo com funcionárias de sua produção.

Mesmo falando de si, Letterman dava a impressão de falar, com fino humor, claro, de um terceiro. O babado o levou a ser chantageado por um amador. Um chantagista, nos Estados Unidos, que aceita depositar
um cheque de sua vítima, sendo esta uma personalidade como Letterman, além de desprezível, é burro pra caramba.

Pena que para assistir ao Late Show, no GNT, tenha-se de esperar o término de mais de uma hora de sexo explícito e de banalidades eróticas enlatadas. Quem quiser inteligência que vá dormir nas madrugas, ora.