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A hora de mudar o rumo

por Redação Carta Capital — publicado 27/01/2013 11h16, última modificação 27/01/2013 11h16
A eliminação da Seleção Sub-20 abre caminho para uma renovação. Felizmente, a CBF sonda um novo técnico à altura

Por Afonsinho

A “retirada da Seleção Sub-20” do Campeonato Sul-Americano vem em boa hora. Destampa essa embrulhada em que estamos metidos no futebol brasileiro. Abre caminho para uma renovação que já vem tarde (se vier). Mais uma vez, a direção da CBF dá sinais claros de mudança de rumo na orientação do nosso esporte mais popular.

Chamou para a próxima Sub-20 o Jorginho, que fez ótimo trabalho na base do Palmeiras. Interessa aqui escolher um treinador com grande vivência dentro das quatro linhas. Mudar o perfil do responsável dentro do campo. Muita coisa está atrelada a essa tomada de posição.

Há longos anos passados o extraordinário Carlinhos, a quem o Flamengo deve tanto, comentava numa esquina onde nos encontramos e dizia a mesma coisa. Os jogadores, garotos ainda, não sentem respeito pelo técnico numa relação deturpada. Menos ainda quando o “treineiro” não tem história como jogador. Os jogadores mais valorizados não são os melhores treinadores, parece até que se dá o contrário. Os mais criativos, no entanto, organizam as equipes mais lembradas.

Não é absoluto que tenha sido jogador. A virtude maior parece ser a capacidade de harmonizar um conjunto de personalidades diferentes e “superegos” inflados.  A inversão de valores entre clubes e empresários é um erro de princípio. Os intermediários, ou corretores, como chamou outro antigo jogador, não podem ser maiores que o clube.
O compromisso dos jogadores não passa pelo clube, razão principal da paixão dos torcedores que move tudo e, em última análise, fica no meio do caminho com seu representante. Mesmo isso complicou-se nos dias atuais, em que grupos de empresários se juntam em conglomerados. Por conta disso o futebol ficou engessado, chato, burocratizado mesmo.

A lembrança pelos 30 anos da morte de Garrincha também é bastante oportuna. É o maior símbolo da Liberdade no futebol e o que queremos na vida. Não entendo por que se dá mais valor à data de morte do que à do nascimento dos ídolos, ainda mais de quem é o símbolo da alegria do povo.

Participamos da comemoração do último aniversário do “seu” Mané em Pau Grande e da honra de receber o time de lá no aniversário do Nei Conceição no mês passado. Prazer imenso mostrar às crianças as poucas imagens de Garrincha que são um patrimônio da Arte brasileira em todas suas manifestações. Nenhuma novidade, mas significativa a semelhança com Chaplin nos seus gestos e ritmo.

Começa a rolar a bola do calendário brasileiro na falsa malandragem de aproveitar os campeonatos regionais esvaziados para encurtar as pré-temporadas com sérios riscos para a integridade de jogadores. Chama a atenção a quantidade de choques de cabeça entre os atletas, às vezes do mesmo time. No primeiro jogo do Fluminense pelo Campeonato Carioca, verdadeira atuação de “piloto suicida” do zagueiro contra o adversário, o bom time do Nova Iguaçu. O time da Baixada Fluminense é um dos maiores reveladores de novos talentos do futebol brasileiro.

Seedorf, no seu retorno, depara-se com o ­Campeonato Carioca, suas peculiaridades, casuísmos, horários etc. Mesmo oriundo do Suriname, deve estar estranhando muito. Sugeriu alterações e pode ajudar muito mais. O horário dos juniores na parte da manhã no Rio de Janeiro em pleno verão é um caso sério. Outro caso a pensar é o das propagandas nos uniformes das categorias “amadoras”. As copas de 2013 e 2014 aproximam-se rapidamente e ameaçam não significar nenhuma melhora na organização dos jogadores profissionais. Uma ótima oportunidade para atualizar a relação de trabalho adaptada às novas realidades. Os clubes já se movimentam, mas e os jogadores?

Felipão pareceu pouco à vontade na divulgação da primeira convocação. Deve ter sofrido pressões na escolha dos nomes. Mostrou mais uma vez sua esperteza na composição da lista bastante complicada por tantas circunstâncias. Impressionante que o melhor zagueiro de um dos três maiores clubes da Europa seja praticamente um desconhecido em meio a tantos órgãos de comunicação. Copa Africana, Copa Libertadores e... Copa São Paulo. Santos ou Goiás? •

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