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A história da cantina

por Mino Carta publicado 19/04/2012 15h05, última modificação 06/06/2015 18h22
Uma correção ao verdadeiro significado da palavra 'cantina'

A ignorância nativa é clássica. Quando me permito levar meu verbo às universidades, nunca deixo de me espantar com a crassa incultura dos estudantes. Não sabem o que aconteceu no Brasil ontem e anteontem. Nem se fale do passado próximo e remoto. Seus mestres também não se distinguem em matéria de conhecimento. Alguns eminentes professores de Direito sustentam, por exemplo, que a Itália nos anos setenta era dominada por um governo de extrema-direita, a justificar a resistência de heróis da liberdade como Cesare Battisti, de fato um ladrãozinho do arrabalde romano capaz de descobrir razões ideológicas para assassinar quatro inocentes.

Leio que acaba de falecer Pier Luigi Grandi, o Piero da célebra cantina. Eu o conheci como garçom da segunda cantina de Giovanni Bruno, ficava, priscas eras, no viaduto Martinho Prado, quase em frente à mais antinga sinagoga paulistana. Diz a cultíssima Folha de S.Paulo que foi ele o precursor das antigas cantinas italianas. Italianas, mas haveria outras? Esclareço. Cantina, em vernáculo peninsular, significa adega, subsolo. Na Itália, o gênero de restaurante que aqui chamamos cantina é trattoria. Ocorre que os primeiros imigrantes instalaram suas trattorie em subsolos do Brás, da Mooca e do Bexiga, chamavam-nos cantine e o nome ficou.

Illo tempore nem o pai do Piero tinha nascido.

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