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A era Mano sob nova direção

por Matheus Pichonelli publicado 22/01/2013 15h55, última modificação 22/01/2013 17h19
Com Felipão, o torcedor não teve nem tempo de sentir saudades de Hulk e companhia

É um carro velho com motorista novo. Quem estranhava ver o atacante Hulk na mesma posição que até pouco tempo atrás tinha Ronaldo e Romário decerto não ficou feliz ao saber que o jogador não era apenas uma obsessão de Mano Menezes – ou era, mas uma obsessão compartilhada pelo novo velho técnico Luiz Felipe Scolari.

A base da seleção brasileira convocada nesta terça-feira 22 é mais ou menos a mesma do antecessor. As poucas (e não tão chamativas) surpresas foram as convocações dos zagueiros Dante (Bayern de Munique) e Miranda (Atlético de Madri) e do lateral Filipe Luis, também do Atlético de Madri.

Mas as principais atenções, como não poderiam deixar de ser, estão nos retornos de Ronaldinho Gaúcho, Luis Fabiano e Julio Cesar. Ainda assim, a surpresa passou longe: com ou sem Felipão, os três eram nomes sempre na bica de uma nova chance na seleção. Antes da convocação, o ex-ídolo da Inter de Milão, hoje escondido no gol do QPR da Inglaterra, já havia manifestado seu desejo de desfazer a má impressão deixada pelas duas falhas fatais nas quartas-de-final da Copa de 2010, contra a Holanda. Como Mano ainda não havia encontrado um goleiro ideal, era questão de dias que Julio César voltasse à meta brasileira.

Ronaldinho Gaúcho foi a grande aposta de Felipão na seleção. Não agora, claro, e sim na sua primeira passagem, iniciada em 2001. Foi ele quem viu no ainda jovem atacante do PSG o jogador ideal para fazer a ponte entre um meio-campo limitado e os dois últimos craques carimbados que o Brasil já teve, Ronaldo e Rivaldo. Hoje veterano, Ronaldinho agora pinta e borda em gramados brasileiros e demonstra motivação – e forma física – para liderar o time. Por pouco não foi convocado para a Olimpíada de Londres e era natural que, hora ou outra, o técnico da seleção (fosse quem fosse) desse a ele uma nova chance, enquanto testa aos poucos nomes como Oscar, Lucas e Ganso (dos três, o único que ficou de fora da primeira lista).

A trinca de veteranos foi fechada com Luis Fabiano, destaque da última Copa. No tempo em que conseguiu ficar em campo em 2012, sem lesões ou expulsões, ele foi a melhor sombra para o artilheiro Fred, que só havia conseguido espaço no time de Mano Menezes nas últimas convocações. Resta saber se o centroavante Leandro Damião, favorito de Mano, terá nova chance quando voltar à melhor forma.

De resto, praticamente todos os atletas já foram testados em algum momento pelo antecessor. Ralf e Paulinho, a melhor dupla de volantes do futebol brasileiro em anos, foram lembrados, assim como Arouca, o carregador de piano oficial do Santos de Muricy Ramalho. Ramires, do Chelsea, também foi mantido. Sem concorrência, Daniel Alves reinará soberano na lateral direita. Quanto a Neymar, era impensável que não constasse da lista.

Fato é que, nesta primeira lista, prevaleceu um Scolari mais conservador, sem brecha para grandes invenções. Ele não contemplou antigos amuletos (alguém acreditava que o veterano Marcos Assunção ou o zagueiro Henrique ganhariam chance?) nem cedeu ao saudosismo: dos atletas pentacampeões de 2002, havia no cardápio nomes como Lúcio e Rogério Ceni, do São Paulo, Kaká (Real Madrid) e Ronaldinho, que se tornou o único representante da velha guarda. Robinho e Maicon, que perderam chance com Mano, seguem fora da seleção.

Se não reparar bem nos gritos à beira de campo, o torcedor que assistir à partida contra a Inglaterra, em 6 de fevereiro, em Wembley, corre o risco de nem perceber qualquer mudança. Nada impede que a postura (e a motivação) do time seja outra, mas a carcaça é quase a mesma. Assim como Mano Menezes, Felipão terá de fazer o que pode com o que tem em mãos. E as opções, fora um ou outro ajuste, não são tão abundantes como num passado recente.

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