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Garibaldi: rebelde, separatista, pirata e "marqueteiro"

por Redação — publicado 03/09/2013 17h40, última modificação 03/09/2013 19h30
Autor de livro, Gianni Carta diz que Garibaldi não era um bom gaúcho, não montava bem a cavalo, não dançava. Mas adotou o figurino e soube vender a imagem
Garibaldi

O revolucionário Garibaldi, tema do livro de Gianni Carta

Giuseppe Garibaldi voltou à Itália vestido como gaúcho após passar pela América do Sul e assim passou para a História, graças aos retratos em pintura e à tinta dos autores mais influentes de seu tempo, entre eles Alexandre Dumas. O que poucos sabem é que ele raramente usava as roupas típicas dos pampas quando morou na Argentina, no Uruguai e no Brasil. No livro Garibaldi na América do Sul: o Mito do Gaúcho, resultado de oito anos de pesquisa, o repórter de CartaCapital Gianni Carta retrata a vida do revolucionário e mostra como ele ajudou a criar a sua própria imagem - exótica e heróica.

Na quarta-feira 4, o lançamento ocorre em São Paulo, na Livraria Cultura. Em seguida, o livro será lançado em Porto Alegre, no dia 9, e no Rio de Janeiro, em 11 de setembro. Na entrevista abaixo, o autor conta como desconstruiu o mito e faz um paralelo sobre a sua volta à Itália, onde se tornou o heroi da unificação: é como se alguém declarasse guerra à Síria vestido de "Homem-Aranha".

CartaCapital: Por que Garibaldi ainda hoje é uma figura conhecida no Sul e desconhecida no resto do país?

Gianni Carta: No Rio Grande do Sul ele é uma figura fundamental porque ele lutou na revolução Farroupilha. No resto do Brasil, ele era mal visto: foi um rebelde, um separatista, um pirata. Então ele foi muito mal ensinado. Inclusive na minha época como estudante, nos anos 80 no colégio Dante Alighieri, era uma escola muito autoritária de inclinações fascistas e não se falava em Garibaldi porque estávamos em um tempo ditatorial e ele era visto como um rebelde.

CC: Se você não aprendeu sobre ele no colégio, como começou a se interessar pela história de Garibaldi?

GC: Eu comecei a ouvir falar do Garibaldi desde pequeno, porque o Garibaldi fazia parte das nossas conversas da minha família, pois ele era um republicano que lutou pela unificação da Itália.

CC: Nas suas pesquisas no sul do país, você percebia que as pessoas ainda falavam sobre ele?

GC: No sul do Brasil ele é um herói, porque ele é um italiano que vai lutar na revolução, é comandante da marinha, e tem muito a ver com a identidade do Rio Grande do Sul. Se você for para (o município de) Garibaldi, por exemplo, é possível comprar um espumanete com a figura do Garibaldi gaúcho com o poncho no rótulo. E isso não é só no Rio Grande, mas também na Itália inteira.

CC: O que representava um gaúcho chegar na Itália naquela época?

GC: Hoje seria como você chegar em Damasco vestido de Homem-Aranha e falar “agora eu faço parte daqui, vamos ser uma bando de homens aranhas e vamos lutar contra o Assad”. É mais ou menos isso. O gaúcho não era conhecido, era conhecido no máximo por intelectuais e mesmo assim mal visto. Era o Homem-Aranha chegando à Síria. E ele não lutou na América vestido de gaúcho no Rio Grande do Sul, mas ele chega vestido de gaúcho na Itália, posa para pintores, fala com os autores mais influentes, entre eles Alexandre Dumas, que já era consagrado, dá entrevistas e se promove vestido de gaúcho.

CC: Ele assustava as pessoas se portando desta forma na Itália?

GC: O objetivo dele era instigar medo no inimigo. Quer dizer: “eu sou um gaúcho, eu sou um durão, minha tática e tática de guerrilha, eu uso uma faca e degolo, eu sou um homem criado no pampa”. É isso que ele queria.

Mas para as pessoas que o apreciavam, ele era em um herói. Um homem bem afeiçoado, de olhos claros, vestido de gaúcho. Então tinha esse duplo sentido: o gaúcho que instiga medo e o que é apreciado, o herói.

Serviço:

São Paulo
04 de setembro de 2013, quarta-feira, às 18h30
Livraria Cultura - Conjunto Nacional (piso térreo)
Av. Paulista, 2073 Tel.: (11) 3170-4033

Porto Alegre
09 de setembro de 2013, segunda-feira, às 18h30 
Livraria Cultura - Bourbon Shopping Country
Av. Túlio de Rose, 80 Tel.: (51) 3028-4033

Rio de Janeiro
11 de setembro de 2013, quarta-feira, às 19h
Livraria da Travessa - Ipanema
R. Visconde de Pirajá, 572 Tel.: (21) 3205-9002