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Sociedade

Francisco de Oliveira

A carta branca de Rodas

por Matheus Pichonelli publicado 18/05/2012 13h18, última modificação 18/05/2012 17h48
O professor emérito aposentado da USP, lamenta apatia dos docentes na atual crise da universidade
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O sociólogo Chico de Oliveira. Foto: Reprodução/TV UFBA

A preocupação com os rumos da maior universidade do País está exposta nos conflitos, protestos e panfletos produzidos por estudantes e funcionários da USP. A crise, no entanto, não foi suficiente para provocar reações à altura dos decanos da instituição.

Durante a última semana, CartaCapital fez contato com professores renomados para pedir um balanço sobre a gestão Grandino Rodas. A maioria respondeu não se sentir à vontade para falar a respeito.

Parte da apatia se deve ao fato de o reitor ter evitado mexer com os docentes ao longo de sua administração, na avaliação do sociólogo Francisco de Oliveira, professor emérito aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Pelo contrário: Rodas tem feito agrados aos professores com reajuste de salários e bônus. “Nos docentes ele não mexe. Eles têm poder, são a maioria do conselho universitário. Os servidores e estudantes têm representação mínima”, explica Oliveira.

“Em relação a outros períodos é uma posição recuada dos professores. E isso dá força ao Rodas pra fazer o que lhe dá na telha, como chamar a polícia para dentro do campus.”

Afastado do cotidiano na universidade, mas sempre atento ao que acontece no campus, o sociólogo não mede palavras para dizer que, em 20 anos como professor, jamais viu uma gestão tão ruim, sobretudo em razão da perseguição aos servidores. “Das gestões que eu conheço, esta é a pior.”

O professor levanta suspeitas sobre os motivos que levaram à escolha de Rodas, o segundo colocado na votação para reitor e ainda assim escolhido para o cargo pelo então governador José Serra (PSDB). Segundo Oliveira, Rodas parece incumbido de cumprir um projeto do governo tucano: sucatear o quadro de servidores da universidade ao minar os principais focos de resistência do sindicato.

“O Rodas parece ter entrado para acabar com essa força do sindicato dos servidores”, diz o professor. “Os tucanos veem os gastos com funcionários como supérfluo, acham que a USP tem funcionário demais. Não sabem valorizar o outro lado: o quanto essa universidade serve à sociedade. É uma posição anti-estatal.”

O resultado dessa visão sobre a universidade é que hoje a USP é vista como algo distante da sociedade em geral (“Outro dia peguei um taxi, pedi ao motorista para ir até a USP, e ele não sabia onde era”) e com antipatia pelos principais veículos de comunicação do estado.

Oliveira demonstra preocupação com a presença da PM no campus e com a situação dos mais de 70 alunos que, presos durante a ocupação da reitoria, correm o risco de serem banidos da universidade. “Um estudante banido da USP não volta mais”, lamenta.

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