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45 dias depois da invasão no Complexo do Alemão, governo do RJ ocupa novas favelas

por Sul 21 — publicado 06/01/2011 15h10, última modificação 06/01/2011 16h04
Poder público amplia a atuação em territórios invadidos para alcançar a meta de pacificar 40 locais até 2014. Operações no Engenho Novo aconteceram sem resistência

Da Redação de CartaCapital

A partir das 8h da manhã desta quinta-feira 6, 250 policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro ocuparam os morros do São João, do Quieto e da Matriz, no Engenho Novo. A operação aconteceu sem resistência do tráfico. A secretaria de Segurança anunciou que a Unidade de Policia Pacificadora (UPP) na favela do São João será implementada em 30 dias e contará com 200 policiais.

Leia abaixo uma análise da jornalista Rachel Duarte, do portal Sul 21, sobre as operações do final de 2010, na Vila Cruzeiro e no complexo do Alemão, e os planos do governo Sérgio Cabral que se inicia.

Por Rachel Duarte

Pouco mais de um mês depois da invasão pelas forças de segurança da Vila Cruzeiro e do complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, o governo carioca segue investindo em ações sociais para manter as comunidades afastadas do crime. Paralelo a isso, o poder público amplia a atuação em territórios invadidos para alcançar a meta de pacificar 40 locais até 2014.

As comunidades dos morros do Quieto e de São João, na zona norte do Rio, serão ocupadas a partir de hoje (6) pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), como primeiro passo para a implantação de uma nova Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (5) pelo governador Sérgio Cabral, após participar da inauguração de uma agência bancária na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, zona oeste da cidade. As duas comunidades ficam no outro lado do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, onde uma UPP foi implantada em novembro de 2010.

Cabral também disse que o Rio terá novas comunidades pacificadas este ano. Ele, contudo, não quis adiantar quantas e nem os locais onde as UPPs serão implantadas. “Não posso falar tanto. Aí vou dar um drible a mais e não posso. Tenho é que cruzar a bola porque o artilheiro é o Beltrame”, afirmou numa referência ao secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

Na manhã de hoje (6), o Bope começou a ocupar três morros do Engenho Novo, na zona norte do Rio, a fim de instalar UPPs nos morros Quieto, Matriz e São João. Aproximadamente 200 policiais, entre oficiais e praças, participam da operação. Eles utilizam blindados do Bope, retroescavadeiras e um caminhão para a remoção dos obsáculos.

O Rio já tem 13 UPPs instaladas e o plano do governo do estado é de pacificar 40 comunidades, dominadas por traficantes ou por milicianos, até a Copa do Mundo de 2014.

O Rio depois da pacificação do Alemão

Além de sucessivas visitas do governador, uma delas acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as comunidades do Complexo do Alemão passaram a receber mais atenção e investimentos do governo carioca.

Antes de completar um mês da invasão das forças de segurança, os moradores ganharam uma sala de cinema, a primeira de projeção construída em uma favela do Rio. O CineCarioca, como foi chamado, tem programação para todas as idades, inclusive com exibição de lançamentos de grande apelo popular tanto nacionais quanto internacionais. Moradores do complexo do Alemão e adjacências, estudantes, professores, idosos e portadores de necessidades especiais pagam meia-entrada em todas as sessões.

Outra ação, mas de médio prazo, foi a implantação de um dos projetos do Pronasci – Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, o Justiça Comunitária. Uma pesquisa etnográfica encomendada pela Secretaria carioca de Assistência Social e Direitos Humanos identificou que pequenos conflitos ganharam maior visibilidade em áreas onde há tráfico de drogas ou a milícia deixou de arbitrar as regras da vida comunitária.

O programa pretende democratizar o acesso à justiça por meio da participação de moradores como mediadores dos conflitos. É uma iniciativa que vai facilitar o diálogo entre o direito formal e as regras e dinâmicas comunitárias de resolução de conflitos. Os primeiros núcleos do Justiça Comunitária serão instalados na Cidade de Deus e no Complexo do Alemão. A capacitação dos 30 mediadores está prevista para ocorrer ainda em janeiro e os atendimentos devem começar em fevereiro.

O governo do estado do Rio de Janeiro tem previsão de investir ainda R$ 150 milhões na construção de 15 creches, duas escolas, três clínicas da família, além de obras de pavimentação urbana e iluminação no Complexo do Alemão.

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