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Sociedade

Rio de Janeiro

10 PMs são indiciados pela morte do pedreiro Amarildo de Souza

por Redação — publicado 02/10/2013 19h50, última modificação 03/10/2013 11h07
Entre os acusados está o major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha. Todos os policiais militares negam envolvimento no caso
Fernando Frazão/ABr
Amarildo

Em protesto em agosto, moradores da Rocinha e parentes do pedreiro Amarildo de Souza cobram informações sobre o seu desaparecimento

Dez policiais militares, incluindo o ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela da Rocinha, o major Edson Santos, foram indiciados no inquérito presidido pelo delegado Rivaldo Barbosa, titular da Delegacia de Homicídio da Polícia Civil fluminense, pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, de 43 anos.

O inquérito, que tem 2 mil páginas, já foi entregue ao Ministério Público e também mostra que a tortura de moradores da favela era frequente no local. Todos os PMs vão responder pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. Também foi pedida ao MP a prisão preventiva dos investigados, conforme anunciou o delegado.

Barbosa declarou que as provas colhidas o levaram a uma convicção para pedir o indiciamento dos suspeitos. “Há um conjunto de provas testemunhais e um conjunto de provas de inteligência que fizeram que nós chegássemos a essa convicção, e isso foi levado ao Ministério Público", afirmou o delegado em entrevista. Rivaldo informou que Amarildo não foi torturado dentro do contêiner que serve de base da UPP e que no local não foram encontradas marcas de sangue. Segundo o jornal O Globo, que teve acesso ao inquérito, consta no documento que Amarildo foi submetido a choques elétricos e asfixiado com um saco plástico dentro do contêiner que sedia a UPP. O jornal cita como origem da informação o promotor de Justiça Homero das Neves.

Todos os policiais negam envolvimento no desaparecimento do pedreiro. Eles afirmam que Amarildo foi liberado e saiu sozinho da UPP. A saída não foi registrada pelas câmeras de segurança da unidade - a câmera da sede da UPP não estava funcionando. A polícia analisou as imagens de 80 câmeras e realizou escutas telefônicas.

O ajudante de pedreiro sumiu no dia 14 de julho, depois de ser levado por PMs para a sede da UPP na comunidade. O ex-comandante da unidade sustentou que Amarildo foi ouvido e liberado, mas nunca apareceram provas que mostrassem o pedreiro saindo da UPP, pois as câmeras de vigilância que poderiam registrar a saída dele não estavam funcionando.

Com informações da Agência Brasil