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Serviços de atendimento especializados em DSTs/aids precisam ser expandidos no País, avaliam gestores e ativistas

por Agência Aids — publicado 06/10/2010 10h30, última modificação 06/10/2010 10h44
O I Encontro Paulista dos Serviços de Assistência Especializada em DST/AIDS iniciou na noite da segunda-feira 4

O I Encontro Paulista dos Serviços de Assistência Especializada em DST/Aids (SAE) - Cuidado, Integralidade e Qualidade de Vida – foi iniciado na noite desta segunda-feira (4). O objetivo da atividade é debater a assistência oferecida às pessoas vivendo com HIV em serviços de saúde do Estado de São Paulo.  No total, houve mais de 500 inscrições de profissionais de saúde paulistas para participar do evento que segue até o dia 7. “Essa procura mostra que realmente havia a necessidade de realizar uma atividade como essa, voltada para quem trabalha nessa área”, explicou a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Maria Clara Gianna.

Na mesa de abertura, os gestores de instâncias municipal, estadual e federal avaliaram que os SAEs precisam ser implantados em mais locais do País. “Temos o desafio de tratar as pessoas que chegam tardiamente aos serviços de saúde porque demoram para descobrir a infecção pelo HIV e, por isso, têm mais chances de óbito”, disse a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Maria Cristina Abbate. O Ministério da Saúde estima que mais de 200 mil pessoas soropositivas desconheçam a própria sorologia.

De acordo com Maria Cristina, a capital paulista deve transformar até o fim de 2011 sete CTAs (Centros de Testagem e Aconselhamento em DST/Aids) em SAEs. “Esses serviços estão localizados em lugares estratégicos da cidade. É uma otimização de recursos”, disse. A ideia é reaproveitar as estruturas já instaladas e os profissionais de saúde em novas funções, acompanhando soropositivos assintomáticos (quando não manifestam sintomas da aids).

A reivindicação de mais SAEs é também uma demanda da sociedade civil, segundo o presidente do Fórum de ONG/Aids do Estado, Rodrigo Pinheiro. “O municípios precisam valorizar e viabilizar mais esses serviços.”

O diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, Dirceu Greco, diz que a vulnerabilidade social, como a pobreza, dificulta o acesso da população aos serviços de saúde. “Enquanto não melhorarmos esta questão, vamos enxugar gelo”, declarou.

Direitos reprodutivos

O Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais lançou nesta segunda um novo consenso terapêutico para profissionais de saúde. O documento contém um capítulo com orientações para planejamento da gravidez entre casais que vivem com o HIV. Além disso, prevê o uso da profilaxia pós-exposição, ou seja, o uso de medicamentos antirretrovirais para tentar barrar a infecção do HIV.

Estudos feitos no Brasil e em outros países indicam que há uma redução da chance de infecção do HIV, quando alguns antirretrovirais são tomados até 72 horas depois de uma relação sexual desprotegida com um soropositivo ou quando há contato com sangue contaminado.

O assunto ganhou destaque na abertura do encontro paulista de SAEs. “Em 2006, houve a discussão sobre isso, mas parece que não pegou”, disse  Rodrigo Pinheiro.

Dirceu Greco afirmou que as estratégias só funcionarão se os médicos souberem ouvir os pacientes. “As equipes de saúde precisam estar preparadas para uma situação, como por exemplo, das pessoas que vivem com o vírus e querem ter filhos. A aids pode até ser uma doença controlada, mas estará com a gente ainda por um longo tempo”, comentou.

Liposdistrofia

A lipodistrofia é um efeito causado pelo uso prolongado dos antirretrovirais e/ou pela reação do HIV no organismo, e caracteriza-se pelo acúmulo de gordura em partes específicas do corpo, como abdômen e nuca, e a diminuição em outras, como rosto e nádegas.

A representante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, Maria Elisa da Silva, diz que a questão preocupa mais as mulheres. “As reações adversas dos antirretrovirais nos causam mais lipodistrofia e alteram nosso metabolismo. Espero que os serviços consigam lidar com esse problema”, afirmou.

Guia para cuidador domiciliar

O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de DST/Aids e a Coordenação Estadual de DST/Aids de São Paulo, lançou no evento o Guia para o Cuidador Domiciliar de Pessoas que Vivem com HIV/Aids. A ideia do documento é orientar as pessoas que cuidm de pacientes soropositivos de forma clara e objetiva em tarefas básicas do cotidiano. “Fizemos um texto acessível para qualquer pessoa, independente da idade, conseguir entender”, disse uma das coordenadoras do projeto, Tânia Corrêa de Souza, técnica do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids.

Também foram lançados outras duas publicações: Manual para assistência à revelação diagnóstica às crianças e jovens com HIV/Aids, de Eliana Galano; eConjugalidades e Prevenção às DST/aids, de Alexandre Yamaçake, Naila Janilde Seabra Santos e
Regina Figueiredo

I Encontro Paulista dos SAEs
Terça e quarta, das 8h30 às 18h30
Quinta, das 8h30 às 17h
Espaço Hakka. Rua São Joaquim, 460, Liberdade, São Paulo.