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Risco sem prazer

por Riad Younes publicado 15/02/2011 16h11, última modificação 15/02/2011 16h11
Estudos indicam: a disfunção erétil pode estar associada a doenças graves, como a obstrução das coronarianas e o infarto

Estudos indicam: a disfunção erétil pode estar associada a doenças graves, como a obstrução das coronarianas e o infarto
Se já não bastasse um homem, depois de certa idade, ter dificuldades em manter a ereção e as relações sexuais, parece que a simples presença da disfunção erétil pode estar associada com doenças graves, como a obstrução das coronárias e o infarto cardíaco. Nas últimas décadas, vários pequenos estudos têm se preocupado com as evidências, cada vez mais intrigantes, da relação entre problemas eréteis nos homens e a maior incidência de doenças graves.
Um estudo realizado em Olmsted (EUA) e publicado em 2009 pelo doutor Gades N mostrou claramente o declínio progressivo da função sexual masculina com o avanço da idade. A incidência de disfunção erétil aumentou 20 vezes nas pessoas com mais de 70 anos, quando comparadas com um grupo de indivíduos com idade inferior a 50 anos. Naquele estudo, os cientistas notaram um aumento no risco de doenças cardiovasculares nas pessoas com problemas eréteis, principalmente jovens.

Recentemente, pesquisadores do departamento de urologia da faculdade de medicina Mount Sinai, em Nova York, liderados pelo doutor Bar-Chama N, publicaram seus resultados na revista Medical Clinics of North America. Identificaram clara correlação entre a presença de disfunção erétil e a elevação do risco de infarto. Esse risco ultrapassou 50% nesse grupo de pacientes. No estudo, avaliaram mais de mil voluntários com idade média de 50 anos. Todos foram submetidos a um check-up de saúde que incluía uma tomografia de coronárias, para avaliar o risco de obstrução das artérias do coração, e o consequente infarto. Encontraram disfunção erétil clara em um terço desses indivíduos.
Após o ajuste para outras doenças que sabidamente aumentam as chances de doenças cardiovasculares, como tabagismo, sobrepeso, diabetes e hipertensão, os cientistas ainda conseguiram observar que a presença de disfunção erétil foi associada com risco 54% mais elevado de obstrução coronariana. Curiosamente, esse risco atingiu magnitude semelhante às pessoas com hipertensão ou tabagismo. Os autores desse estudo alertam os médicos a indagarem seus pacientes sobre a disfunção erétil, de forma rotineira. Naqueles em que o problema for diagnosticado, uma atenção apropriada deve ser dada ao risco de doenças cardiovasculares importantes. Tanto na prevenção quanto na sua detecção precoce.

Transplante de artérias
Artérias doentes ou destruídas por trauma ou invasão tumoral necessitam de retirada, reconstrução e substituição. Geralmente, os cirurgiões vasculares e cardíacos tentam substituir esses vasos sanguíneos por artérias ou veias do próprio corpo. Um exemplo clássico seria a colocação de pontes de safena (veias das pernas) para substituir um trecho das artérias coronarianas obstruídas. Em outras situações, quando não há disponibilidade de vasos do próprio indivíduo, os cirurgiões lançam mão de vasos artificiais, confeccionados em fábricas a partir de material sintético, como o politetrafluoroetileno (PTFE).
Esses tubos são feitos de vários tamanhos e comprimentos, e ficam guardados em armários aguardando seu uso. Eles apresentam problemas, no entanto. Obstrução, coagulação e comportamento biológico bem diferente de uma artéria normal. Pesquisadores do centro de pesquisa da faculdade de medicina de Brody (EUA) conseguiram cultivar, em laboratório, artérias de origem humana que podem ser estocadas e usadas para o mesmo fim. Em estudos em animais, essas artérias desprovidas de células, e que, portanto, não induzem resposta imunológica ou rejeição, foram implantadas no corpo dos animais e se comportaram exatamente como um vaso normal. Não apresentaram os problemas comumente vistos com os tubos sintéticos.
Apesar de os resultados serem ainda preliminares, a perspectiva dessa tecnologia é imensa. Promete resolver problemas vasculares graves, com eficiência e durabilidade ímpares. Basta lembrar que muitos dos enxertos vasculares utilizados atualmente apresentam piora de sua “qualidade” 10 a 20 anos após sua colocação.