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Saúde

Pandemia

Para diminuir os riscos de demência

por Riad Younes publicado 17/08/2010 17h11, última modificação 17/08/2010 17h11
Qualquer redução no número de novos casos poderá ter um impacto enorme na saúde da população

Qualquer redução no número de novos casos poderá ter um impacto enorme na saúde da população

Nas últimas duas décadas do século XX, o aumento do número de pessoas, principalmente idosas, sofrendo de quadros clínicos associados à demência chamou a atenção dos médicos e autoridades de saúde.  Estudos epidemiológicos identificaram a incidência crescente. E mais recentemente demonstraram que os tratamentos medicamentosos e de suporte aos portadores de doenças demenciais têm conseguido prolongar a vida dos pacientes, contribuindo ainda mais para a rápida elevação da prevalência dos quadros demenciais na população. Tendo em vista esta pandemia, estima-se um aumento na sua incidência de mais de 100% nos países desenvolvidos, entre 2001 e 2020. E de mais de 300% em países emergentes, como China, Índia e Brasil.

Os especialistas iniciaram suas pesquisas em duas frentes. A primeira para tentar minimizar os efeitos da demência e reduzir a velocidade de sua progressão. A segunda frente consistiu em analisar as pessoas afetadas pela degeneração cerebral, com o objetivo de descobrir fatores de risco associados ao aparecimento da doença. Desde fatores genéticos inerentes a cada indivíduo, até fatores ambientais, comportamentais ou doenças concomitantes que tendem a crescer a suscetibilidade da pessoa a desenvolver a doença.

Devido à previsão de aumento explosivo na incidência de doenças demenciais no mundo, qualquer redução no número de novos casos poderá ter um impacto enorme na saúde pública da população.  Nas últimas décadas, vários estudos identificaram fatores de risco que possam se correlacionar com demências. Os mais importantes se associam às doenças cardiovasculares, como infarto, derrame cerebral, hipertensão, obesidade ou diabetes, ou distúrbios psiquiátricos como a depressão, ou ao comportamento individual, como estresse, alcoolismo crônico, má alimentação ou tabagismo.

Apesar de a causa exata dessas doenças não ser clara, os estudos sugerem uma interação entre múltiplos fatores que definem o risco real de desenvolver a doença. A maioria das pesquisas se limitava a descrever os fatores associados com a incidência maior de demência.  Recentemente, um estudo extenso realizado por equipes de cientistas da Universidade de Montpellier, na França, e da Faculdade de Medicina do Imperial College, em Londres, publicado na prestigiosa revista científica British Medical Journal, avaliou mais de 1,4 mil pessoas com idades acima de 65 anos, para identificar quadros de demência.

Ao mesmo tempo, realizaram um estudo para determinar quais intervenções seriam mais eficazes em reduzir a ocorrência de novos casos, independentemente da descoberta de novos medicamentos específicos. Os pesquisadores seguiram os 1.433 voluntários, todos residentes na cidade de Montpellier. Foram submetidos a testes neurológicos para avaliar sua capacidade intelectual a cada dois a três anos, durante os sete anos de estudo.

Os hábitos, as doenças associadas e os riscos genéticos foram avaliados nesses voluntários. Os cientistas, liderados pelo médico K. Ritchie, demonstraram que o controle da depressão e do diabetes, assim como o aumento substancial no consumo de frutas e verduras, poderia reduzir a incidência de novos casos de demência em mais de 21%. Somente o controle eficaz dos quadros depressivos conseguiria diminuir em 10% a incidência de demência.

Sugerem os cientistas que as autoridades de saúde deveriam insistir em programas que incluam esses resultados como orientação geral de cuidados com a população, principalmente idosos, para diminuir significativamente o peso social das doenças demenciais. Poderia ser uma sugestão para os nossos candidatos nas próximas eleições.

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