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No carnaval, mulheres adolescentes têm dificuldade em negociar uso do preservativo e ignoram risco de infecção

por Agência Aids — publicado 25/02/2011 15h34
Ministério da Saúde lança nesta sexta-feira 25, no Rio de Janeiro, campanha voltada às adolescentes menos escolarizadas e com baixo poder aquisitivo. Da Agência Aids

Ministério da Saúde lança nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, campanha voltada às adolescentes menos escolarizadas e com baixo poder aquisitivo
Preocupado com o aumento dos casos da doença na faixa etária que vai dos 15 aos 24 anos – em especial as mulheres de menor escolaridade e poder aquisitivo – o Ministério da Saúde lança, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, a campanha de prevenção ao HIV no carnaval.
A campanha deste ano será dividida em dois momentos: antes e depois das festas. A mensagem pré-carnaval focará a prevenção ao HIV, promovendo o uso do preservativo. No pós-carnaval, enfatizará a necessidade de se realizar o teste de detecção dos vírus da aids, sífilis e hepatites para quem não se preveniu em qualquer relação sexual.
Thais Nadielle, de 18 anos, é estudante e mora em Campo Grande. Ela contou à Agência de Notícias da Aids que tem vergonha de exigir o preservativo. “Não gosto de pedir, mas também não tenho relação sem camisinha. Aqueles que mostram que não vão usar, dou uma desculpa e fujo da relação”, disse.
Integrante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids, Thais acredita que as mulheres da sua idade não medem muito bem as consequências de um único ato sexual sem camisinha. “Para elas parece que tudo é curtição e que não há risco”, comentou.
Colega de Thais nessa Rede de Jovens, Andréia Fernandes, de 28 anos, trabalha na prevenção das DST/aids em Pelotas, Rio Grande do Sul. Segundo Andréia, em conversas com as adolescentes fica evidente que elas são submissas aos homens, muitas vezes mais velhos, além de serem mal informas sobre os riscos de infecção ao vírus. “Algumas delas usam pílula para não engravidar, mas não se preocupam com a aids”, disse.
Em São Paulo, o Centro de Referência e Treinamento do Programa Estadual de DST/Aids está desenvolvendo um projeto para dar destaque ao preservativo como método anticoncepcional e não apenas como insumo de prevenção ao HIV, conta a epidemiologista Naila Janilde Seabra Santos.
Naila repete os mesmos motivos citados por Thais e Andréia para falar da vulnerabilidade das adolescentes ao HIV. “Trata-se do início da vida sexual. Então, há imaturidade, troca de parceiros e pouca responsabilidade”, comenta.
Segundo dados do Ministério da Saúde, apesar de haver mais casos de HIV e aids entre homens, essa diferença diminui ao longo dos anos. Em 1989, a razão de sexos era de cerca de 6 casos de aids no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino. Em 2009, chegou a 1,6 caso em homens para cada 1 em mulheres.
Na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos casos já é diagnosticada nas mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros.