Você está aqui: Página Inicial / Saúde / MSF pede respeito às instalações de saúde na Síria

Saúde

Crise humanitária

MSF pede respeito às instalações de saúde na Síria

por Redação Carta Capital — publicado 29/01/2013 15h56, última modificação 29/01/2013 17h54
Míssil cai a 800 metros de hospital. Mais mortos foram encontrados hoje

*Matéria atualizada às 18h53
Todas os envolvidos no conflito na Síria deveriam respeitar pacientes, equipes médicas e instalações de saúde, diz a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). No dia 24 de janeiro, um míssel aterrissou a 800 metros do hospital de MSF na região de Aleppo, mas não houve registro de mortes. Em 13 de janeiro, após o bombardeio aéreo de um mercado na cidade de Azaz, próximo dali, 20 feridos foram tratados no mesmo hospital.

 

A crescente insegurança na região de Aleppo está causando a redução dos esforços voltados para a oferta de cuidados médicos essenciais. A MSF diz que permanece comprometida a dar assistência à população da Síria apesar da violência generalizada e dos recentes acidentes envolvendo a segurança nas áreas onde equipes médicas estão atuando.

“O crescente número de ataques nessa região pode prejudicar nossa capacidade de conduzir atividades médicas”, afirma Teresa Sancristóval, gerente operacional de emergência de MSF. “Desde que começamos a trabalhar na Síria, temos tentado encontrar lugares seguros para tratar a população. Mulheres e crianças é que estão pagando caro nessa guerra.”

Entre gestantes, casos de abortos e partos prematuros estão aumentando devido ao estresse causado pelo conflito. “O número de partos realizados em nossa instalação subiu de 56, em novembro, para mais de 150, nas três primeiras semanas de janeiro.” Neste mês, a organização humanitária tratou 15 bebês prematuros, procedimento que, normalmente, demandaria equipamento médico especializado, que está disponível apenas na fronteira com a Turquia neste momento.

Equipes de MSF estão fornecendo cuidados de saúde emergenciais, obstétricos e gerais na Síria. De junho de 2012 a janeiro de 2013, foram realizadas mais de 10 mil consultas e mais de 900 intervenções cirúrgicas.

Desde o início dos protestos na Síria, há quase dois anos, o Médicos Sem Fronteiras tem tentado conseguir acesso às regiões que precisam de ajuda humanitária mais urgente. No entanto, o escopo das atividades no país continua limitado devido à insegurança e às restrições governamentais. Por meses, MSF tem buscado autorização oficial para assistir os sírios nas regiões controladas por forças do governo, mas os esforços, até o momento, não tiveram sucesso.

A entidade reclama também que aajuda internacional destinada à Síria não está sendo distribuída igualmente nas áreas controladas pelo governo e pela oposição. As regiões sob controle governamental recebem praticamente toda a ajuda internacional, enquanto localidades controladas pela  oposição recebem apenas uma pequena parcela. Os financiadores devem apoiar operações humanitárias que ultrapassem fronteiras, que alcancem regiões controladas pelos opositores.

No dia 30 de janeiro, financiadores estarão reunidos na Cidade do Kuwait para arrecadar doações totalizando US$1,5 bilhão em ajuda humanitária para vítimas do conflito na Síria. No entanto, as iniciativas humanitárias até o momento têm sido implementadas, sobretudo, a partir da capital Damasco, por meio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e das agências das Nações Unidas atuando em parceria com o Crescente Vermelho sírio, única organização autorizada pelo governo a oferecer assistência em campo. Como resultado, apenas uma pequena porção da ajuda humanitária internacional chega às áreas controladas pela oposição. De forma geral, a assistência imparcial é insuficiente em ambas as frentes de batalha, bem como nos países vizinhos, que abrigam refugiados sírios, diz o MSF.

Mais mortes
Os corpos de pelo menos 65 jovens mortos com tiros na cabeça foram encontrados nesta terça-feira 29 na cidade síria de Aleppo, horas antes da prestação de contas do mediador internacional Lakhdar Brahimi na ONU.

Brahimi, emissário da ONU e da Liga árabe na Síria, deverá explicar às 18h de Brasília ao Conselho de Segurança os esforços feitos até agora para tentar colocar fim ao conflito que já deixou mais de 60.000 mortos em cerca de dois anos no país.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que possui uma ampla rede de fontes militares e médicas, "pelo menos 65 cadáveres não identificados foram encontrados em Bustane al-Kasr", bairro controlado pelos rebeldes em Aleppo, cidade do norte da Síria que vive combates constantes entre soldados do regime e insurgentes.

"Com cerca de vinte anos de idade, eles foram executados com um tiro na cabeça. Vestindo roupas civis, a maioria foi encontrada com as mãos amarradas atrás das costas", informou o Observatório. Eles foram retirados do rio Quweiq que separa Bustane al-Kasr e Ansari, bairro também em mãos rebeldes.

No local, um capitão rebelde, Abu Saada, informou à AFP que "até o momento, 68 corpos foram encontrados, inclusive de crianças, mas é provável que existam mais de 100 ainda debaixo d'água".

"Não sabemos quem são porque eles não possuem identidade", declarou um voluntário que ajudava a colocar um corpo num caminhão. No veículo, um correspondente da AFP pôde contar quinze cadáveres.

Abu Saada acusou o regime dessas execuções. Porém, um membro dos serviços de segurança do regime afirmou à AFP que se tratavam de "cidadãos de Bustane al-Kasr, que foram levados por grupos terroristas após serem acusados de favorecer o regime".

Leia mais em AFP Movil