Você está aqui: Página Inicial / Saúde / Hospital que faz 700 cirurgias por mês deve fechar em SP

Saúde

Saúde

Hospital que faz 700 cirurgias por mês deve fechar em SP

por Rafael Nardini — publicado 13/10/2013 17h22, última modificação 14/10/2013 04h08
Entidade que cuida do hospital da Glória afirmou que não administrará mais o local, que pode fachar suas portas. Haverá protesto nesta segunda-feira
Google Street View
Hospital

Entidade que cuida do hospital da Glória afirmou que não administrará mais o local, que pode fachar suas portas. Haverá protesto nesta segunda-feira

Foco de divergências entre os candidatos petista e tucano à prefeitura na eleição do ano passado, a chamada rede terceirizada acaba por render um novo problema para o prefeito Fernando Haddad (PT): o Hospital Glória, no bairro da Liberdade, região central paulistana, encerrará suas atividades. A Sociedade Assistencial Bandeirantes, mantenedora da unidade, confirmou à CartaCapital na noite desta sexta-feira (11) que não administrará o hospital especializado no atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A remoção de pacientes internados e o reagendamento de cirurgias ainda não foram divulgados.

O aumento da dor de cabeça dos paulistanos que dependem do sistema privado é fruto de um impasse entre a administração municipal e a instituição filantrópica responsável pela unidade hospitalar. Enquanto a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirma que a entidade parceira não cumpriu as chamadas metas físicas - consultas de especialidades e internações clínicas e hospitalares - em pelo menos cinco meses do ano passado, a responsável pela unidade, por sua vez, aponta que o desativamento “atende às novas diretrizes” da gestão paulistana.

Segundo convênio firmado pelo SUS, o descumprimento das metas neste ano gerou a diminuição dos repasses à Sociedade Assistencial Bandeirantes. No ano passado, de acordo com a secretaria da capital, foram repassados exatos R$ 24.978.261,62 referentes aos serviços ambulatoriais e de internações de média e alta complexidade prestados. Já em 2013, os números caíram bastante. Foram repassados R$ 8.342.631,97 correspondentes aos procedimentos de média e alta complexidade prestados até agosto e outros R$ 4.743.722,80 para cobrir os procedimentos financiados pelo Fundo de Ações Estratégicas e de Compensação (FAEC) até julho. Nos dois últimos anos, a instituição manteve média mensal de 600 internações, segundo dados divulgados pela prefeitura. Os atendimentos ambulatoriais ao mês, no entanto, caíram de 24.788 em 2012 para 21.760, entre janeiro e agosto.

A médica Adriana Brito, ainda que nem prefeitura nem a instituição confirmem, diz que há a possibilidade de que a unidade encerre as atividades ainda neste mês. “Sem o nosso atendimento, outros hospitais da cidade acabarão sobrecarregados para o atendimento em ortopedia”. O contrato vigente, no entanto, se estende até o mês de dezembro. Por conta do risco iminente, os funcionários planejam uma paralisação para a próxima segunda-feira (12), a partir das 9h, na Rua da Glória. André Cedroni, médico que chefia do Pronto-Socorro e atua como plantonista há 15 anos na unidade, é um dos líderes da iniciativa. “Cerca de 300 funcionários deverão participar. A população da região está acompanhando de perto e já se manifestou dizendo que também vai estar conosco”, diz.

Fundado em 24 de maio de 1999, o Hospital Glória realiza cerca de 400 atendimentos ambulatoriais diários. Cerca de 95% dos pacientes atendimentos passam por especialistas em traumatologia e ortopedia, sendo realizadas, em média, 700 cirurgias traumato-ortopédicas ao mês. Exames como endoscopia e ultrassonografia são outros oferecidos com boa regularidade. Resta saber até quando.