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Grupos farmacêuticos usaram habitantes da Alemanha Oriental como cobaias

por AFP — publicado 13/05/2013 10h00, última modificação 13/05/2013 10h44
Estima-se que mais de 50 mil pessoas da antiga Alemanha comunista tenham servido como cobaia, muitas vezes sem estarem cientes e em alguns casos perdendo a vida
AFP
Alemanha

O líder da Alemanha Oriental, Erich Honecker (esq), e da URSS, Mikhail Gorbachev, em 1986 em Berlim Oriental

BERLIM (AFP) - Mais de 50 mil habitantes da Alemanha Oriental foram utilizados como cobaias por grupos farmacêuticos ocidentais, muitas vezes sem estarem cientes e em alguns casos perdendo a vida, de acordo com um artigo do semanário Der Spiegel publicado neste domingo 12.

No total, mais de 600 estudos foram realizados em 50 clínicas até a queda do Muro de Berlim, em 1989, indica semanário, que cita documentos inéditos do ministério da Saúde da Alemanha Oriental e do Instituto alemão dos medicamentos.

Os arquivos revelam dois casos de mortes em Berlim Oriental por testes com Trental, um produto destinado a facilitar a circulação sanguínea desenvolvido pelo laboratório da Alemanha Ocidental Hoechst (atualmente fundido com o Sanofi) e outros dois mortos perto de Magdeburgo durante testes com um remédio para a hipertensão realizado para o Sandoz, depois adquirido pelo grupo suíço Novartis.

Muitas vezes, os pacientes eram incapazes de dar um pleno consentimento, como os trinta prematuros que testaram EPO em um hospital berlinês ou os alcoólatras em pleno delirium tremens que receberam Nimodipin da Bayer, remédio que melhora a circulação sanguínea cerebral.

Os laboratórios ofereciam até 800 mil marcos alemães (400 mil euros) por estudo.

Interrogadas pelo Der Spiegel, as empresas mencionadas destacaram que os incidentes ocorreram há muito tempo e que, a princípio, os testes respondem a protocolos muito rígidos.

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