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Agência Brasil

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12.02.2012 10:49

Fiocruz investiga aumento de cesarianas no País

Paula Laboissière*

 

Brasília – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai entrevistar 24 mil mulheres que tiveram bebê recentemente (pós-parto) para descobrir o porquê da preferência de muitas brasileiras pela cesariana. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2010, 52% dos partos no país foram cirúrgicos. Na rede privada, o índice chega a 82% e na rede pública, a 37%.

A pesquisa vai verificar com a mãe qual foi a indicação médica para o tipo de parto, onde foi feito o pré-natal e se o profissional que acompanhou a gestação foi o mesmo que realizou o parto. No caso de mulheres que passaram por cesariana, será perguntado o motivo da escolha.

rávida do primeiro filho, a nutricionista Laís Ignácio tem preferência pelo parto normal. "O corpo feminino foi preparado para isso", afirma. Foto: Agência Brasil

Há cinco anos, Rachel Bessa oferece apoio a mulheres grávidas para alcançar o bem-estar físico e emocional durante a gestação e o parto. Ela explicou que o parto normal é um ato de respeito ao próprio corpo feminino, enquanto a cesariana exige um procedimento cirúrgico com riscos, como a hemorragia interna.

Outra desvantagem, segundo Rachel, é que, após a cesariana, a mãe não pode ficar junto com a criança imediatamente porque precisa se recuperar da cirurgia – mesmo que o bebê necessite desse primeiro contato já que, por meio dessa aproximação, é possível, por exemplo, controlar a temperatura corporal.

“Além disso, durante o parto normal, acontece uma compressão natural no peito da criança. Com isso, todo o resquício de líquido, próprio da gestação e que pode estar dentro da criança, é limpo. É um processo natural. No caso da cesárea, é usada uma sonda para a retirada desses líquidos.”

Lais Ignácio, 25 anos, é nutricionista e está grávida do primeiro filho. “Pretendo ter parto normal, mas vai depender da situação na hora”, disse. Apesar do receio da dor, ela explicou que prefere parto normal porque a recuperação é mais simples. “O corpo feminino foi preparado para isso”, completou.

Catiana Ferreira, 29 anos, trabalhadora doméstica, compartilha o sentimento de ansiedade. Grávida do primeiro filho e já no oitavo mês de gestação, ela disse que ainda não recebeu uma indicação médica sobre que tipo de parto optar. “Quero parto normal, porque é mais rápido e recupera logo. Assim, não necessito de muito repouso já que preciso voltar a trabalhar.”

Já Maria de Fátima Oliveira, 36 anos, fará uma cesariana, mesmo preferindo o parto normal. A empregada doméstica está grávida do primeiro filho, mas tem um mioma que pode complicar o procedimento. “Se não fosse esse problema, faria o [parto] normal, porque a recuperação é mais rápida e mais saudável”, disse.

De acordo com o Ministério da Saúde, as chamadas cesáreas eletivas são as que mais representam risco. Nesse tipo de procedimento, a mãe agenda o dia e o bebê nasce sem que a mulher entre em trabalho de parto, o que pode causar problemas de saúde, sobretudo respiratórios, na criança.

 

*Matéria originalmente publicada em Agência Brasil

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Sua opinião

  1. Renata Cadidé disse:
    O tema de pesquisa abordado já tem dentro do corpo do texto sua resposta explícita: O aumento da opção de cesarianas ocorre devido ao tabu existente em relação as dores de contração causadas durante os procedimentos de partos naturais. Nenhum indivíduo optaria por uma resposta positiva quando o quesito envolve dor, é inata a fuga a essa reação, mesmo que o processo envolva o benefício de uma segunda vida em detrimento de outra. Acredito que os órgãos públicos poderiam focar como tema de campanhas publicitárias a desmitificação da dor envolvendo o parto normal, mostrando que atualmente existem alternativas anestésicas que controlam a dor provocada pelas contrações.
  2. Cicero Maciel disse:
    Gestantes, caso queira um parto humanizado e pelo SUS. Hospital Sofia Feldman em Belo Horizonte- MG. Pesquise na net e veja a benção que é esse hospital. E mesmo que tenha condições de pagar um hospital particular, com certeza não será tão bem atendida. Fica na periferia de BH. Você se sentirá uma Gisele Bundchen, seu filho nascendo na banheira com agua quente, ou de outra maneira natural, como queira.
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