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Escolha sua carreira

por Rogério Tuma publicado 03/08/2010 18h27, última modificação 03/08/2010 18h27
Pesquisa relaciona a espessura da fatia branca do cérebro à vocação profissional

Pesquisa relaciona a espessura da fatia branca do cérebro à vocação profissional

A espessura da substância cinzenta do cérebro medida no exame de ressonância tem tudo a ver com suas aptidões cognitivas. É difícil imaginar, mas o cérebro tem a sua superfície e o seu “fundo” de cor cinzenta, mas no meio dessas duas áreas está a substância branca que como o nome indica é clara. A cor cinza ocorre por haver um acúmulo de núcleos celulares, e o branco vem da proteína que compõe os prolongamentos dos neurônios. O neurônio está, portanto, na parte cinzenta, e a substância branca é, na sua maior parte, composta de fios que conectam um neurônio ao outro.
Um estudo publicado em 22 de julho na revista BMC Research Notes mostra que a substância cinzenta do córtex cerebral tem realmente áreas cognitivas especializadas. E a sua espessura parece estar relacionada à maior ou menor performance de uma função intelectual. O estudo conseguiu demonstrar isso porque comparou a espessura da substância cinzenta em determinadas áreas do cérebro, medida pelo exame de ressonância magnética, com resultados dos testes vocacionais mais comumente utilizados para a escolha de carreiras.
O médico Richard Haier e colaboradores de universidades americanas e da Espanha avaliaram os resultados do exame de ressonância de 40 indivíduos, procurando orientação vocacional. E os compararam aos resultados de oito testes aplicados com o intuito de identificar qualidades cognitivas do postulante, como inteligência, velocidade de pensamento, cálculo, orientação espacial e memória. Conseguiu encontrar alguns padrões anatômicos que se relacionavam com as qualidades intelectuais descobertas pelos testes.
Existem vários estudos que relacionam o quociente de inteligência a sucesso profissional. Ou seja, se você é inteligente, terá uma chance bem maior de obter sucesso na profissão escolhida. Ou, ainda, na tarefa que lhe obrigarem a fazer. No estudo, os cientistas queriam saber se diferenças nas qualidades específicas do nosso índice geral de inteligência estavam também relacionados a diferenças no volume do córtex cerebral em áreas específicas.
Um estudo do mesmo grupo feito na Espanha pelo doutor Colom demonstrou que em 100 indivíduos analisados por testes de habilidades verbais e não verbais algumas áreas do cérebro estão mais ligadas a uma função do que a outra, corroborando as teorias mais antigas de que existem áreas do cérebro exclusivamente para uma tarefa. Na verdade são redes neurais especializadas que contam com áreas específicas do córtex cerebral. Desta vez os pesquisadores compararam os resultados em oito testes e focaram nas diferenças do córtex para habilidades espaciais e memória, sempre tentando afastar a interferência do fator “inteligência geral”.
Os cientistas associaram a capacidade de percepção espacial com várias áreas do cérebro: o lobo frontal, uma área em volta dos gânglios da base, que são os neurônios da profundidade do cérebro, o mesencéfalo, que é a parte mais alta do tronco cerebral, e o cerebelo. Os testes de memória identificaram duas áreas especialistas, o lobo temporal médio e o giro cingulado, também localizado na região temporal do cérebro. Enquanto a memória de números e cálculo estava associada a regiões no lobo occipital e lobo frontal.
Em relação à memória, a correlação foi negativa, isto é, os indivíduos que tinham menos neurônios nessas áreas eram os de melhor performance nos testes, o que, de acordo com os pesquisadores, pode ser um fator de eficiência da rede neural. E concluem que, se o neurônio de um indivíduo funciona melhor, é preciso um número menor deles para efetuar bem uma determinada função.
Apesar de reconhecerem que a quantidade de indivíduos avaliados foi modesta para as grandes conclusões, os cientistas afirmam ter aberto uma nova avenida para a pesquisa de habilidades específicas capaz de ser fácil e rapidamente utilizada para a escolha de carreiras. Com a mesma confiabilidade e resultados dos longos e cansativos testes hoje aplicados para orientação profissional. Portanto, na próxima entrevista de trabalho a que for chamado, não se assuste se lhe pedirem para anexar o exame de ressonância em seu currículo.