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Comportamento Humano

Em busca da perfeição

por Redação Carta Capital — publicado 15/07/2010 17h04, última modificação 15/07/2010 17h15
A ciência quer entender as preferências estéticas de homens e mulheres. Por Rogério Tuma

A ciência quer entender as preferências estéticas de homens e mulheres. Por Rogério Tuma

A 22ª conferência Internacional sobre o Comportamento Humano e a Evolução Social, realizada em junho na cidade de Eugene, no estado norte-americano do Oregon, esquadrinha a mundana busca científica pela forma humana ideal.

Algumas pesquisas apresentadas deixam claro que mesmo um cientista, antes de idealizar uma sociedade perfeita, busca um par perfeito. Talvez por isso um grupo de pesquisadores da Universidade de Albany, em Nova York, fez medições em 60 estudantes brancas, de algumas partes de seus corpos: comprimento das mãos e dos pés, comprimento da coxa, largura do quadril, além de altura, peso e outros quesitos, totalizando 16 medidas.

Depois disso os pesquisadores separaram oito mulheres com as menores medidas e outras oito com as maiores medidas. E construíram uma foto usando o recurso de morfing dos rostos, ou seja, interpondo todas as fotos juntas e criando uma só imagem, das oito mais e das oito menos, e então as apresentaram para 77 homens estudantes heterossexuais.

Os dois cientistas autores da pesquisa, Jeremy Atkinson e Michelle Rowe, declararam que nunca viram uma associação na escolha tão evidente quanto a desta pesquisa. As mulheres de pés grandes que me perdoem (esta não é uma opinião pessoal), mas o resultado foi expressivo: os homens, ao verem a foto do rosto apenas, indicaram as mulheres de pés pequenos como duas vezes e meia vezes mais atraentes e dez mais femininas! De modo similar os “machos” tenderam a expressar, apenas pela observação do rosto, que mulheres com quadris estreitos são 11 vezes mais atraentes e as de coxas compridas, oito vezes mais. As mulheres mais altas em geral também ganhavam das mais baixas. Essa foi uma das razões de os cientistas optarem por mostrar apenas as fotos dos rostos.

As explicações científicas são diversas. Em primeiro lugar, o corpo todo da mulher está sujeito à interferência hormonal e nutricional, portanto, o que modela o quadril em termos de hormônio também modela os ossos da face.

Como os pesquisadores eram homem e mulher, eles escolheram também 67 homens e mediram 16 partes de seus corpos. E apresentaram as fotos do rosto com morfing dos oito mais e oito menos para 82 “fêmeas”. As mulheres elegeram os mais atrativos a partir da análise dos rostos, peitos largos e punhos finos.

A ciência, nesse ponto, se confunde: escolher um macho forte de peito largo para procriar parece ser natural, é assim que fazem os outros primatas que foram derrotados por nós na cadeia evolucionária. Mas o que significam punhos finos?

Caso a ciência não consiga explicar, os cientistas conseguem. Ao avaliar as fotos dos homens com os punhos mais grossos, as entrevistadas interpretaram como sendo homens duas vezes mais propensos a sexo ocasional. E os homens de punhos finos como mais propensos a relacionamentos mais duradouros. Acredite se quiser.

Quanto à personalidade perfeita, a ciência também perpetua a procura, em outro estudo apresentado no mesmo congresso, pelo psicólogo evolucionista Aaron Lukaszewski, da Universidade da Califórnia, em Santa Clara, segundo o qual ser extrovertido não se aprende. Segundo o cientista, mais da metade dos traços de personalidade está presente igualmente entre gêmeos idênticos, demonstrando um forte peso genético na forma como somos “por dentro”.

O cientista avaliou 85 homens e 89 mulheres, quantificou sua força, avaliou sua atratividade em relação aos seus parceiros e aplicou uma escala de personalidade que media o grau de desinibição. Obviamente, encontrou que mulheres e homens fortes e atraentes eram os mais extrovertidos.