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Cérebro de plantão

por Rogério Tuma publicado 10/03/2013 09h36, última modificação 06/06/2015 18h24
Se quiser resolver uma dúvida cruel, um dilema, vá dormir. Você pode acordar com a solução

Um estudo da Universidade Carnegie Mellon publicado na revista Neurociência Cognitiva e Afetiva Social demonstra que, quando temos um problema para resolver, áreas do cérebro responsáveis pela tomada de decisões ficam ativas até a sua solução, mesmo enquanto dormimos ou estamos distraídos com outro assunto. O doutor David Creswell e colaboradores testaram o cérebro de 27 voluntários, apresentando-lhes informações sobre carros e outros itens, enquanto faziam imagens de ressonância funcional que mede a atividade metabólica de cada área do cérebro. Em seguida, os pesquisadores solicitaram aos voluntários que fizessem exercícios com números, como método de distração, e na sequência eram questionados sobre os detalhes dos carros e outras informações apresentadas.

Enquanto as informações iniciais eram fornecidas, as áreas visuais e o córtex pré-frontal, conhecidas como áreas relacionadas ao aprendizado, ficaram e permaneceram ativas mesmo durante os testes de distração com os números. Além disso, a intensidade da atividade nessas áreas correspondia à melhor resposta dos voluntários como a escolha do melhor carro apresentado, por exemplo. Esse estudo, segundo os autores, é o primeiro que demonstra como o cérebro funciona resolvendo problemas, mesmo no subconsciente, analisando dados e buscando soluções, mesmo quando estamos distraídos ou descansando.

Se você não consegue dormir, meditar também ajuda. Um estudo da Brown University publicado na revista Fronteiras da Neurociência Humana demonstra que a meditação vigilante, isto é, a meditação que foca a atenção na experiência do momento, como a sensação do respirar ou da percepção do corpo, previne a depressão e reduz o estresse, principalmente quando há um desconforto físico presente como dor ou cólica.

Utilizando uma técnica chamada magneto eletroencefalografia, cientistas conseguiram documentar que pessoas que praticam meditação vigilante conseguem filtrar as sensações e reduzir os estímulos corticais que são mais incômodos. Segundo os doutores Catherine Kerr, Stephanie Jones e Christopher Moore, a meditação vigilante permite que as pessoas desenvolvam um controle melhor das ondas alfa do cérebro, que predominam no eletroencefalograma quando estamos acordados e alertas. Essas ondas são reduzidas na parte do corpo onde se concentra a atenção durante a meditação, permitindo que esses indivíduos filtrem os estímulos, reduzindo os que mais incomodam como dor, coceira ou cólica. Portanto, está claro, a força está com todos nós. É só se concentrar ou se distrair, que o cérebro tudo resolve.