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Brasil testa nova arma contra a dengue

por Deutsche Welle publicado 25/09/2014 11h34
Pesquisadores estudam aplicação de mosquitos Aedes aegypti portadores de bactéria que impede transmissão do vírus. Microorganismo não é transmitido a humanos e não oferece riscos ao meio ambiente
Fiocruz / Gutemberg Brito
Fiocruz

Ovos de mosquito foram trazidos da Austrália para criar colônia brasileira

Nesta quarta-feira 24, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) soltaram a primeira leva de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia no bairro de Tubiacanga, no Rio de Janeiro. Quando inserido no vetor da doença, o microorganismo consegue bloquear a transmissão do vírus.

A ação da Wolbachia no combate à dengue vem sendo pesquisada desde 2006 por cientistas australianos do programa "Eliminar a dengue: nosso desafio". "Estamos diante de uma estratégia científica inovadora e segura, que poderá contribuir para o controle da dengue e para a melhoria da saúde da população", afirma Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz e líder do programa no país.

Diferentemente de projetos que focam no combate à dengue com mosquitos geneticamente modificados, o método com a Wolbachia é natural. A bactéria é encontrada no meio ambiente em cerca de 60% dos insetos do mundo, incluindo diversas espécies de mosquitos.

Entretanto, na natureza, a Wolbachia não é encontrada em mosquitos vetores de doenças, como oAedes aegypti e o Anopheles, transmissor da malária. Os cientistas do programa descobriram que, quando inserida no vetor da dengue, a bactéria consegue impedir a transmissão do vírus ao interferir na sua capacidade de desenvolvimento.

Segundo os pesquisadores, o método não oferece risco à saúde humana ou ao meio ambiente, pois a bactéria é intracelular, ou seja, fica dentro das células dos mosquitos e não é transmitida a seres humanos. No mosquito, ela passa de mãe para filho, e, assim, as próximas gerações já nascem com o microorganismo.

Desde 2011, pesquisas de campo estão sendo realizadas na Austrália, Indonésia e Vietnã. Na Indonésia, poucos meses após a liberação dos mosquitos com a Wolbachia, quase 78% da população de Aedes aegypti já carregava o microorganismo. Em algumas regiões da Austrália, o índice foi de 100%.

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