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Boas-novas contra o Parkinson

por Rogério Tuma publicado 28/07/2010 11h22, última modificação 28/07/2010 11h33
Estímulos elétricos e outros meios de enfrentar as doenças do movimento

Estímulos elétricos e outros meios de enfrentar as doenças do movimento

O XIV congresso Internacional da doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento, realizado em Buenos Aires neste mês, traz uma série de novidades que confirmam o grande interesse médico em desvendar os segredos dos nossos mais simples atos, como andar e comer.
Na segunda semana de junho, nem todos estavam ligados apenas na Copa do Mundo. Um grupo de mais de 7 mil neurologistas se encontrou em Buenos Aires, para discutir os avanços da medicina para o entendimento das doenças do movimento. E as novas oportunidades para o tratamento desses distúrbios, incluindo o tremor e Parkinson.
A grande novidade do encontro foi o uso cada vez mais aceito de estímulos elétricos da região profunda do cérebro, que não só passou a dar uma grande opção para os casos avançados, mas ajudou também no melhor conhecimento da doença de Parkinson.
O estímulo elétrico profundo do cérebro é feito com um aparelho implantado sob a pele com uma bateria e que emite estímulos através de cateteres implantados nos núcleos da base, agrupamentos de neurônios alojados profundamente no cérebro e envolvidos com a organização dos nossos movimentos automáticos, como andar e mastigar, que não precisam de nossa atenção. São esses núcleos que não funcionam corretamente na doença de Parkinson.

Antigamente, acreditávamos ser um simples “desbalanço” entre neurotransmissores, os mensageiros químicos que os neurônios usam para se comunicar. No caso do Parkinson, é a falta de dopamina, que era a causa da doença. Na verdade o cérebro é muito mais complexo e esses gânglios têm subgrupos de células que podem estimular ou inibir o neurônio de um outro grupo, mas, dependendo da intensidade do estímulo ou da frequência, o resultado pode ser completamente diferente.
Só depois do advento do estimulador cerebral profundo, que permite modular a intensidade e a frequência dos estímulos elétricos, os médicos passaram a perceber melhor a complexidade desse sistema neuronal. Com isso abriu-se mais uma avenida no tratamento das doenças do movimento.
No congresso, a apresentação de novas drogas ainda experimentais e outras demonstrações das drogas que já temos em uso também chamaram a atenção dos neurologistas. Ainda caminhamos com a terapia gênica e o implante de células jovens ou células-tronco nos gânglios que apresentam a morte prematura dos neurônios. Outra novidade foi a utilização do PET scan (Tomografia por Emissão de Pósitrons), que analisa o metabolismo celular para compreendermos melhor o dinâmico e intrigado relacionamento entre os núcleos da base e os movimentos automáticos.

Uma mudança do posicionamento dos neurologistas também ficou clara no encontro. Com a melhor abordagem da doen-ça e maiores recursos terapêuticos, os médicos passaram a valorizar mais as queixas não motoras dos pacientes com Parkinson, como alterações de memória, do sono, do equilíbrio e incontinência urinária. E a tratá-las também promovendo uma melhora importante na qualidade de vida dessas pessoas.
Segundo Diego Salarini, neurologista do grupo de distúrbios do movimento da Santa Casa de São Paulo, ainda é cedo para avaliarmos o verdadeiro papel do marca-passo cerebral. Mas já há indicação deste para o tratamento de tremores e estudos para utilizá-lo também em depressão e até em coma. O que está estabelecido pela medicina é, porém, o seu uso nos casos de Parkinson sem resposta satisfatória a medicamentos e com muitos efeitos colaterais da medicação, em pacientes previamente selecionados e baixo risco cirúrgico.

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