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Número 932,

Cultura

Papinho Gourmet

Criar é humano

por Marcio Alemão publicado 30/12/2016 09h49
E no clima das ideias inovadoras, tive uma boa: um restaurante sem cozinha.
Estella Maris
gastronomia

- O que você me diz da Pizzatone, criação genial do Didio Pizza?

– E não é que a realidade superou a ficção?

– Nem sei sobre o que você pretende falar, mas hoje eu li uma notícia estarrecedora: a KFC, os famosos frangos fritos do Coronel Sanders, acaba de lançar uma vela aromatizada com o cheirinho de balde de frango frito.

– Então junte a essa boa-nova a coxinha sabor panetone, lançada pela Coxinha Du Chef.

– E já temos o Cookietone e o Bolotone, que são da Original Cake.

– O que você me diz da Pizzatone, criação genial do Didio Pizza?

– Brigatone. Ouviu falar?

– Sim. Panetone de brigadeiro. Irresistível. E até a Bauducco lançou um picolé com sabor panetone.

– O pobre Junior, por mais estapafúrdias que sejam suas ideias, virou uma criança perto desses empreendedores.

– Mas vamos falar um pouco mais sobre a vela com aroma de frango frito.

– Quem não gostaria de encher a casa com elas?

– Se tudo está valendo, por que não imaginar um casal cuja perversão é fazer amor em um quarto aromatizado com as velas da KFC?

– Será que não pensaram em fazer a Velatone? 

– Problemas de registro. Velatone é marca de tintura para cabelo, não?

– Mas pensa: aromatizar a casa com cheiro de panetone seria sensacional.

– Deixa o pensamento fluir e pensa na vela com aroma de peru de Natal!

– Pessoa com dieta super-restrita coloca uma venda nos olhos, acende uma vela de pernil e come um prato de arroz integral.

– Essa sugestão vale também para a vela da KFC.

– Olha a brecha para o Junior: incenso.

– Sensacional. Limpa o ambiente das energias ruins e a casa pode se transformar numa pizzaria, numa churrascaria.

– E no clima das ideias inovadoras, tive uma boa: um restaurante sem cozinha.

– Fala mais.

– Um local bacana, descolado, moderno e com um Wi-Fi poderoso. Você entra, senta, usa o aplicativo que quiser para pedir comida. Avisa ao maître. Esse senhor recebe o pedido e oferece opções, e cada opção tem um custo extra. Por exemplo, quero pratos, talheres, guardanapo de pano, copo para vinho.

– E o camarada que sentou, se não pedir nenhum desses extras, paga o quê?

– Paga 20% do valor do pedido. Não é uma tremenda ideia para tempos de crise? Você vai a um restaurante bacana, come uma coxinha de panetone, por exemplo,  num ambiente descolado, fica feliz e o dono do restaurante não precisa se preo­cupar com chef, garçom, críticos.

– Não teria uma adega?

– Não teria nada. A pessoa leva ou pede inclusive o que vai beber. E caso não tenha um celular o restaurante faz o pedido cobrando uma pequena taxa.

– Algum nome?

– Pensando ainda. Aplicativo me soa bem.

– Delivery place?

– Bom também.  Quer entrar de sócio?

– Fechado.